Moro rejeita novas diligências requeridas por Lula e MPF; sentença sai a partir de 20 de junho, pelo Ministério Público Federal (MPF) no processo que apura se o petista recebeu vantagens indevidas da empreiteira OAS por meio de um tríplex no Guarujá (SP)

Moro rejeita novas diligências requeridas por Lula e MPF; sentença sai a partir de 20 de junho.
Juiz federal Sérgio Moro durante cerimônia em Brasília.30/03/2017 REUTERS/Ueslei Marcelino.
Moro rejeita novas diligências requeridas por Lula e MPF; sentença sai a partir de 20 de junho.

BRASÍLIA (Reuters) – O juiz Sérgio Moro rejeitou nesta segunda-feira novas diligências requeridas pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo Ministério Público Federal (MPF) no processo que apura se o petista recebeu vantagens indevidas da empreiteira OAS por meio de um tríplex no Guarujá (SP) e da armazenagem de bens depois que deixou a Presidência.

Pelo despacho de Moro, que ouviu Lula em depoimento na semana passada, o ex-presidente poderá ser julgado a partir de 20 de junho, dia em que se encerra o prazo para que a defesa do ex-presidente, o MPF e a Petrobras, que também participa da ação, apresentem as alegações finais e o caso fique pronto para que o magistrado dê sua sentença.

O ex-presidente será julgado por Moro se cometeu os crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Essa é uma das cinco ações penais que Lula é réu.

Na decisão desta segunda, o juiz responsável por conduzir a operação Lava Jato na primeira instância recusou todos os pedidos apresentados pela defesa do petista. Os advogados pediam, por exemplo, a inclusão no processo de documentos da OAS, da Petrobras e a colheita do depoimento de novas testemunhas.

O juiz somente permitiu que os procuradores que cuidam do caso, quando da apresentação das alegações finais, esclareçam o status das negociações do acordo de delação premiada dos executivos da OAS Leo Pinheiro e Agenor Franklin Magalhães Medeiros, e quais benefícios foram oferecidos a eles.

“Defiro apenas o requerido para que o MPF, nas alegações finais, informe, caso eventual acordo tenha sido celebrado e não esteja sob sigilo decretado por jurisdição de hierarquia superior, o seu teor”, disse Moro no despacho.

Em nota, o advogado Cristiano Zanin Martins, que defende o ex-presidente, afirmou que a inocência de Lula foi comprovada pelo depoimento das 73 testemunhas ouvidas no processo. O defensor disse que, ao pedir novas testemunhas, o MPF reconheceu que não dispõe de prova da acusação formulada contra Lula.

“A defesa demonstrou que, além de o tríplex não pertencer a Lula, sua proprietária, a OAS, deu o imóvel em garantia em diversas operações financeiras, conforme referências feitas pelas testemunhas ao longo das audiências”, disse Martins.

O advogado afirmou que a decisão de Moro desta segunda-feira contém erros factuais ao citar que não haveria endereços para notificar as eventuais testemunhas complementares – a defesa diz que estão arroladas nas duas últimas páginas do pedido apresentado na semana passada.

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