Uma semana após Harvey, cidades seguem alagadas e 1 milhão de pessoas estão fora de casa no Texas

Casas submersas pela tempestade tropical Harvey em Rose City, no Texas 31/08/2017 REUTERS/Jonathan Bachman
Casas submersas pela tempestade tropical Harvey em Rose City, no Texas 31/08/2017 REUTERS/Jonathan Bachman

PORT ARTHUR, Texas (Reuters) – Uma semana depois da chegada do furacão Harvey ao litoral do Estado norte-americano do Texas, não deve haver trégua nos esforços de resgate nesta sexta-feira, uma vez que grandes áreas continuam submersas depois de um dos desastres naturais mais custosos a atingir os Estados Unidos.

A tempestade deslocou mais de 1 milhão de pessoas, com ao menos 44 pessoas mortas pelas inundações que paralisaram Houston, fez rios subirem a níveis recordes e interrompeu o fornecimento de água potável para Beaumont, cidade do Texas com cerca de 120 mil habitantes.

A Arkema e autoridades de saúde pública alertaram para o risco de mais explosões e incêndios em uma usina química da empresa. Na quinta-feira, explosões abalaram a instalação, situada cerca de 40 quilômetros a leste de Houston e isolada em uma zona de exclusão de 2,4 quilômetros desde que foi inundada.

Cada vez mais preocupado com a presença de poluentes transmitidos pela água, o Serviço Nacional do Clima emitiu alertas de enchente do Arkansas a Ohio nesta sexta-feira, quando os resquícios da tempestade seguiram pelo centro do país.

Segundo previsões, o rio Neches, que flui por Beaumont e nas proximidades de Port Arthur, deve ultrapassar em muito os níveis de alagamento a partir esta sexta-feira. A inundação e a perda de água potável forçaram a retirada de pacientes de um hospital na quinta-feira.

“Beaumont é basicamente uma ilha”, disse a prefeita Becky Adams em uma coletiva de imprensa na quinta-feira.

Harvey a 130 quilômetros ao leste de Houston

A cidade, localizada cerca de 130 quilômetros ao leste de Houston e em grande parte isolada pelas enchentes, só conseguiu receber um grande suprimento de água potável na quinta-feira, e há planos para se instalar centros de distribuição de água nesta sexta-feira, disseram autoridades municipais.

O Harvey chegou ao território dos EUA no final da sexta-feira passada como o furacão mais poderoso a atingir o Texas em meio século. Ele foi rebaixado para depressão tropical ao seguir terra adentro, provocando uma quantidade de chuva inédita e causando devastação ao longo de mais de 480 quilômetros no setor sudeste do Estado.

A agência Moody’s estimou o custo econômico do Harvey no leste do Texas entre 51 bilhões de dólares e 75 bilhões de dólares, o que o coloca entre as tempestades mais custosas da história dos EUA. A maior parte dos danos ocorreu em Houston, polo energético norte-americano cuja área metropolitana tem uma economia comparável à da Argentina.

Ao menos 44 pessoas morreram ou podem ter morrido em seis condados, incluindo dentro e ao redor de Houston, informaram autoridades. Outras 19 continuam desaparecidas.

Cerca de 779 mil texanos foram orientados a deixar suas casas e outros 980 mil fugiram voluntariamente devido ao risco de novas inundações de rios e reservatórios cheios, de acordo com a secretária interina do Departamento de Segurança Interna, Elaine Duke.

Dezenas de milhares de pessoas lotaram centros de acolhimento na região. À medida que as enchentes começaram a recuar em Houston, já na quinta-feira bombeiros iniciaram uma busca casa a casa para resgatar sobreviventes ilhados e recuperar corpos, enquanto alguns moradores voltavam a seus lares para avaliar os estragos.

Reportagem adicional de Richard Valdmanis, Marianna Parraga, Gary McWilliams, Ernest Scheyder, Erwin Seba, Ruthy Munoz, Peter Henderson e Andy Sullivan, em Houston; Ben Gruber em Crosby, Texas; Emily Flitter em Orange, Texas; David Gaffen em Nova York; Jon Herskovitz em Austin, Texas; e Brendan O’Brien em Milwaukee

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