Temer tinha uma visita programada ao Comando Militar do Leste e faria, com o interventor, general Braga Netto, um balanço da intervenção até agora.. Temer cancela visita ao Rio para evitar acusação de uso político da morte de Marielle.

Temer durante cerimônia no Palácio do Planalto
Temer durante cerimônia no Palácio do Planalto
15/3/2018 REUTERS/Ueslei Marcelino

BRASÍLIA (Reuters) – O presidente Michel Temer desistiu da viagem ao Rio de Janeiro, inicialmente prevista para o próximo domingo, e que marcaria um mês do início da intervenção federal na área de segurança no Estado, confirmaram à Reuters fontes palacianas nesta sexta-feira.

Temer tinha uma visita programada ao Comando Militar do Leste e faria, com o interventor, general Braga Netto, um balanço da intervenção até agora.

No entanto, o assassinato da vereadora do PSOL Marielle Franco, na noite de quarta-feira, fez com que o Planalto avaliasse que esse não era um bom momento e poderia parecer que o presidente estava tentando obter um ganho político com a tragédia, apesar de a viagem estar prevista antes da morte de Marielle.

Na própria quinta-feira pela manhã, Temer chamou uma reunião com ministros ligados à segurança e também seus principais assessores palacianos. Do encontro, saiu a determinação de que o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, que estava em Fortaleza, fosse diretamente para o Rio de Janeiro, com o diretor-geral da Polícia Federal e um representante da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), acompanhar a investigação.

No mesmo dia, Temer divulgou um vídeo em que dizia que a morte de Marielle era inadmissível e um atentado à democracia e aos direitos humanos. À tarde, em uma cerimônia com jovens, pediu um minuto de silêncio pela morte da vereadora mas, depois, foi criticado por ter deixado acontecer um evento com música e brincadeiras – “o mais alegre que já aconteceu no Planalto”, segundo o presidente – na mesma hora em que Marielle era velada no Rio.

Reportagem de Lisandra Paraguassu