O lote foi comprado pela PF em 2006 e munições foram desviados. Balas usadas em assassinato de Marielle fazem parte de lote desviado da PF que já foi usado em outros crimes.

Manifestantes fazem protesto por morte da vereadora Marielle Franco no Rio de Janeiro
Manifestantes fazem protesto por morte da vereadora Marielle Franco no Rio de Janeiro
15/3/2018 REUTERS/Ricardo Moraes

RIO DE JANEIRO (Reuters) – As balas usadas no assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) fazem parte de um lote problemático da PF que foi desviado na década passada e já gerou uma série de crimes, disse à Reuters uma fonte próxima às investigações do assassinato da parlamentar.

Segundo a fonte, que falou sob a condição de anonimato, já foram registrados nos últimos anos mais de 50 delitos com o mesmo lote de munição que foi usada para a execução da vereadora.

“Esse lote de munições já tem mais de 50 ocorrências registradas na PF”, disse a fonte. “Foram os mais diversos e diferentes delitos com essas munições”, acrescentou.

O lote foi comprado pela PF em 2006 e munições foram desviados.

“Esse lote foi desviado ou roubado lá atrás”, frisou a fonte ao destacar que mortes, assassinatos e chacinas já foram investigadas Brasil a fora com essa munição.

Mais cedo, a PF informou, em comunicado, que abriu inquérito para apurar a origem da munição usada no assassinato de Marielle e de seu motorista, assim como as circunstâncias envolvendo as cápsulas encontradas no local do crime.

Uma segunda fonte próxima a investigação revelou à Reuters que as investigações estão adiantadas.

“Não vai demorar a solução do caso. Não se deve esperar 60 dias para se concluir. Já se tem as cápsulas, identificação do carro clonado usado na ação e o carro original”, disse a fonte. “O que se tenta agora é encontrar a motivação para o crime.”

As investigações apontam que os autores do crime seriam policiais dada a sofisticação do crime e a precisão dos tiros.

“Tudo indica que foram policiais; temos que descobrir o motivo, mas não tinha contra ela nenhuma ameaça ou coisa do gênero”, frisou a fonte.

A PF está ajudando a polícia do Rio na apuração o que facilita e agiliza as investigações.

“Alguém disse que o local do crime foi escolhido a dedo, mas esqueceram de dizer que o trajeto usado da Lapa até o Estácio tem muita câmera que está sendo usado na investigação” concluiu a fonte.

Marielle, de 38 anos, e o motorista Anderson Pedro Gomes foram mortos na noite de quarta-feira no Rio quando pessoas em um veículo emparelharam com o carro da vereadora e atiraram, atingindo a parlamentar com quatro tiros na cabeça.

Os criminosos não levaram nada no local. A motivação do crime está sendo investigada pela Divisão de Homicídios da Polícia Civil do Rio, inclusive a hipótese de execução.

Uma assessora que estava com Marielle sobreviveu ao ataque, sofrendo ferimentos por estilhaços.

O assassinato, que ocorreu em meio à intervenção federal na segurança pública do Estado do Rio de Janeiro, levou a uma onda de protestos em várias cidades do país na quinta-feira.

Autoridades do governo do presidente Michel Temer lamentaram o crime, mas afirmaram que o caso não coloca em xeque a intervenção federal na segurança pública fluminense.

Reportagem adicional de Eduardo Simões, em São Paulo