Prefeito de São Paulo declara guerra contra escritores de muralha. Uma resposta rápida a uma provocação de alto perfil na guerra do prefeito João Doria em graffiti.

Um funcionário municipal retira a redação 'doria' em referência ao prefeito de São Paulo, João Doria
Um funcionário municipal retira a redação ‘doria’ em referência ao prefeito de São Paulo, João Doria, marcado por um artista brasileiro, conhecido como Iaco, na Avenida 23 de Maio em São Paulo, Brasil, 23 de março de 2017. REUTERS / Nacho Doce

Por Nacho Doce

SÃO PAULO – O artista brasileiro Iaco demorou um minuto a arrancar uma lata de tinta spray e escrever “doria” sete vezes em uma parede cinzenta de São Paulo.

Demorou quatro minutos para que um policial chegasse, armado de armas, algemado Iaco e transportado para o recinto mais próximo – uma resposta rápida a uma provocação de alto perfil na guerra do prefeito João Doria em graffiti.

Esta não era qualquer parede.

Semanas antes, Doria vestiu macacão laranja e uma máscara facial para ajudar a pulverizar tinta cinzenta sobre uns 15.000 metros quadrados de arte de rua ao longo da mesma extensão da Avenida 23 de Maio.

O destino desses murais, encomendado pelo prefeito, provocou um debate sobre a mundialmente famosa cena de graffiti na maior cidade da América do Sul e seu lugar na paisagem mais limpa imaginada pelo programa “Pretty City” de Doria.

O prefeito, desde então, chamou a mudança para repintar aquela avenida ocupada muito apressada e agora insiste que sua luta não é com a colorida arte de rua da cidade, mas com um estilo de marcação agressiva conhecido como “pichação”.

A fonte angular e rúnica conquistou faixas da paisagem de São Paulo enquanto artistas de rua invisíveis escalam edifícios e marcos com rolos de pintura e latas de spray na mão, atraindo a ira de muitos que abraçam outras formas de graffiti.

“Um muralista é um artista e tem o nosso respeito”, disse Doria em uma entrevista neste mês, destacando seus planos para encomendar novas obras de arte de rua. “Pichação é agressão … Não é um problema social, mental, criminoso”.

Doria diz que a polícia já capturou mais de 100 pessoas escrevendo ilegalmente em paredes em São Paulo desde que assumiu o poder em janeiro.

Ele estabeleceu uma multa para pichação de até 10.000 reais (US $ 3.200), ou 10 vezes o salário mínimo mensal do Brasil. Mas os praticantes, conhecidos como “pichadores”, dizem que farão pouco para dissuadi-los de escalar subidas e viadutos de estrada para deixar sua marca.

“Que outro artista põe sua segurança em risco para o que fazem?” Disse o pichador conhecido como Du.

“Toda arte envolve liberdade de expressão, mas a pichação é a expressão da liberdade, você está dizendo ao mundo: ‘Aqui estou eu, você não pode me ignorar'”.

A maioria dos pichadores escreve pouco mais do que seu nome de rua ou o nome de sua tripulação, e pouca comentários sociais em casos raros. – Quem é Doria? Um rabiscado em uma etiqueta.

Pichadores muitas vezes competem para os mais altos ou mais audaciosos tags, mas poucos desfigurar o trabalho de outro. Embora seja sinônimo de decadência urbana, os que participam dizem que a pichação não tem laços com gangues em São Paulo.

 

Alguns no mundo dos graffiti questionam a distinção entre outras artes de rua e pichação, que foi apresentada na Bienal de Berlim, na Fundação Cartier, em Paris, e na Semana de Moda de São Paulo.

Originalmente inspirada em capas de álbuns de heavy metal da década de 1980, a caligrafia enigmática ganhou admiradores na cena global de graffiti, incluindo a fotógrafa Martha Cooper, que documentou a subcultura de Nova York por quatro décadas.

“Eu sou um grande fã do que estão fazendo em São Paulo, eles inventaram seu próprio alfabeto”, disse Cooper, que foi apresentado à velha guarda pichadores em uma recente visita ao Brasil.

“Não são atos de vandalismo aleatório”, disse ela. “É uma maneira de fazer seu próprio ambiente.”

(US $ 1 = 3,15 reais)

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(Escrito por Brad Haynes, edição de Diane Craft)

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