Revitalizado, Titãs comemora 32 anos com show no Rock Concha 2015

Grupo é a atração principal do primeiro dia do evento, neste sábado (3).
Banda paulistana traz a Salvador o show do DVD ‘Nheengatu Ao Vivo’.

Titãs comemora 32 anos com show no Rock

Titãs traz a Salvador o show ‘Nheengatu Ao Vivo’ (Foto: Marcos Hermes)


Viver de rock por 32 anos no Brasil não é uma tarefa das mais elementares. Ainda mais quando se lida com prisões de integrantes, morte de um dos guitarristas e saída do baterista, do baixista e de um dos vocalistas.

O Titãs, principal atração do primeiro dia do Rock Concha 2015, que ocorre no Clube Espanhol, em Salvador, no sábado (3) e no domingo (4), sobreviveu a tudo isso, e sem perder a relevância ao longo de mais de três décadas de estrada.Revitalizado, Titãs comemora 32 anos com show no Rock Concha 2015

Em 2014, o grupo lançou o elogiado “Nheengatu”, retomando uma sonoridade mais pesada, com letras que mostram a fratura exposta da realidade brasileira, tocando em temas como pedofilia, violência doméstica e manifestações políticas. Com o sucesso de público e crítica, a banda, então, resolveu lançar em 2015 o DVD “Nheengatu Ao Vivo”, que é o show que aporta no Rock Concha.

Para Branco Mello, vocalista e baixista, a banda atravessa um momento especial. “Estamos vivendo uma retomada como banda”, diz o músico. “Eu toco baixo, Paulo guitarra, voltamos a pulsar como banda. A química continua funcionando, traz todo o DNA do começo, mas com a bagagem de 32 anos”, acrescenta.

Paulo Miklos, vocalista e guitarrista, acredita que o “Nheengatu” foi imprescindível para o bom momento que o grupo vive. “Este disco nos surpreendeu pela repercussão junto aos fãs, que abraçaram o trabalho novo e que o compararam com um disco clássico [ele se refere ao “Cabeça Dinossauro”, de 1986], o que deixa a gente muito feliz.

E para Paulo, o fato da banda hoje ter quase a metade dos integrantes da formação original [a formação clássica do Titãs era um octeto, enquanto atualmente são quatro integrantes originais mais um baterista contratado] não afeta a força do som do Titãs.

“A gente tinha um excesso de contingente”, brinca. “Eu cantava, mas era uma espécie de regra três, tocava gaita, banjo. Ficava inventando coisas para fazer. Mas nosso som mesmo é duas guitarras, baixo, bateria e teclado, que é o que temos até hoje”, explica o vocalista.

E para isso, à medida em que os outros integrantes foram saindo, eles mesmos resolveram assumir os instrumentos, em vez de usar músicos contratados. “Essa decisão veio do fato da gente acreditar que essa sonoridada simples, mas com traço característico da personalidade do Titãs, é a veia desse novo trabalho. A gente não consegue isso com participações. É mais tosco, mas é mais verdadeiro”, afirma Paulo”.

“Depois da saída do Charles [Charles Gavin, baterista da formação clássica da banda], decidimos parar de tocar com músicos contratados”, diz Branco Mello. “Resolvemos que a gente tinha que voltar a pulsar como banda. Eu já tocava baixo desde os anos 80, Paulo também. Então a gente resolveu assumir os instrumentos”, acrescenta.

Para Branco, é a junção dos quatro membros originais que faz a força do Titãs. “Quando começamos a tocar juntos nessa formação, tudo fluiu naturalmente”, conta. “Tem algo que não se perde: o DNA da banda. Nós somos os mesmos caras que estávamos em 1982, estreando no Sesc Pompeia, à meia-noite”, completa Branco.

E é esta formação – Paulo Miklos (vocal e guitarra), Branco Mello (vocal e baixo), Sérgio Britto (vocal e teclado) e Tony Bellotto (guitarra) -, com o acréscimo do baterista Mario Fabre, que promete não deixar pedra sobre pedra neste sábado, no Clube Espanhol. No repertório, canções do “Nheengatu” misturadas a clássicos do Titãs.

“A gente selecionou músicas que possuem um bom diálogo com o set do DVD, como “Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas”, “Massacre”, “Desordem”, “Televisão”, “Pela Paz”, conta Branco. “Mas a gente tem um repertório muito grande, então nem todo show é igual. Às vezes, tiramos três músicas e colocamos outras três”, fala o vocalista, deixando a dica de que podem surgir surpresas no repertório para Salvador.

Outra novidade do show atual são as máscaras que a banda usa nas primeiras canções da apresentação. “Vêm do primerio clipe de ‘Nheengatu’, da canção ‘Fardado'”, explica Branco.

“O diretor do clipe, Oscar Rodrigues Alves, foi quem teve a ideia: ‘E se vocês tivessem tocando com uma maquiagem, uma espécie de palhaços infernais, de terno, com um visual sombrio?’. Ficou tão bom e combinou tanto com a sonoridade do disco, que a gente achou legal usar as maquiagens no palco. Mas a gente não queria ficar maquiado o show inteiro, então chamamos um cara de teatro, que fez as máscaras. Ele tirou o molde das nossas caras e as fez. A gente toca quatro músicas novas com as máscaras, e parece uma banda nova. Então, a gente tira, e aí já vira o Titãs”, conta Branco.

E a banda não esconde a expectativa de trazer este novo show para Salvador, local que eles dizem ser especial para o Titãs. “Desde o começo, desde a primeira vez, teve uma coisa com o público de rock aí, que a gente não sabia que existia”, diz Branco. “No começo, fomos acolhidos pelo povo baiano de uma maneira incrível. Nosso primeiro show aí foi no Circo Troca de Segredos [que ficava em Ondina, nos anos 80], e fomos surpreendidos. As pessoas cantavam tudo, conheciam tudo”, lembra.

Para Paulo, o fato do Rock Concha não ser realizado na Concha Acústica, que está em reforma, não tira o brilho do evento. “O show não ser lá não é um desapontamento. O evento está mantendo viva a chama, para depois voltarmos à Concha”, diz o músico, que afirma ter carinho especial pela Concha Acústica.

“Fizemos shows históricos lá. Aquela energia é fantástica, porque o público se apodera do show”, destaca Paulo. “Lembro de uma vez que rolou uma chuva torrencial e ficou um palmo de água no chão. Não havia ainda a cobertura na Concha, e os equipamentos foram queimando, mas ninguém saiu, o público se manteve lá, e nós falamos: ‘A gente não pode ir. Vamos ficar até queimar tudo’. E quando queimou tudo, a gente foi embora”, conta Paulo.

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