Com a saída de Michelle Bachelet no Chile, América Latina fica sem nenhuma presidente mulher. Momento coincide com eleição de candidatos ligados a elite empresarial. Mulheres são em média 50% da população da região.

A presidente do Chile, Michelle Bachelet, em imagem de arquivo (Foto: Rodrigo Garrido/Reuters)
A presidente do Chile, Michelle Bachelet, em imagem de arquivo (Foto: Rodrigo Garrido/Reuters)

eleição presidencial deste domingo (19) no Chile, que definiu Sebastián Piñera, de centro-direita, e o senador de centro-esquerda Alejandro Guillier, no segundo turno, torna iminente algo que há anos não se via na América Latina: a ausência total de presidentes mulheres.

Independente do vencedor, Michelle Bachelet sairá de cena como a última presidente mulher da região.

A mudança é um revés para a representatividade feminina na região, que dois anos atrás tinha simultaneamente três líderes femininas: Bachelet no Chile (2006-2010 e 2014-2017), Cristina Kirchner na Argentina (2007-2015) e Dilma Rousseff no Brasil (2011-2016).

Desde 1974, quando Isabelita Perón foi eleita na Argentina, o continente teve 11 mulheres presidentes, sendo 8 eleitas (veja no quadro abaixo) e 3 interinas.

Especialistas ouvidos pelo G1 indicam que uma América Latina governada apenas por homens não representa as mulheres da região, que em média são metade da população, e reflete um problema mundial que não é novidade: a desigualdade de gênero na política.

O momento coincide com a chegada de novos governos mais conservadores do que os da chamada “onda rosa”, quando candidatos ligados a partidos de centro-esquerda foram eleitos no início dos anos 2000. As posses de Maurício Macri, em 2015, na Argentina, e Pedro Pablo Kuczynski, no ano passado, no Peru, são exemplo disso.

Para a diretora da ONU Mulheres para a América Latina e Caribe, Luiza Carvalho, os partidos da região “têm demonstrado pouca habilidade em fazer apostas em candidaturas de mulheres”. Além disso, segundo explica, a recente tendência eleitoral latino-americana aponta para a escolha de candidatos ligados a uma elite empresarial, outro âmbito em que as mulheres ainda são minoria.

“A trajetória dos líderes na Europa está muito vinculada à sua vida partidária. Há um crescimento dentro do espaço político. O que estamos vendo aqui na América Latina, nessa saída das mulheres e a chegada de homens, é uma vinculação com uma elite empresarial. Normalmente as mulheres têm dificuldade para serem líderes dentro da sua classe empresarial”, diz ao G1.

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