Segundo as investigações da PF e do MPF, há fortes indícios de que o consórcio Norte Energia foi favorecido por agentes do governo federal. Lava Jato cumpre mandado contra Delfim Netto por suspeita de propina em Belo Monte

Lava Jato cumpre mandado contra Delfim Netto por suspeita
Redação Reuters
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(Reuters) – A Polícia Federal cumpriu nesta sexta-feira nove mandados de busca e apreensão em São Paulo e no Paraná como parte de investigações sobre suspeita de pagamento de propina a agentes públicos e políticos envolvendo as obras de construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, em nova fase da operação Lava Jato.
Agente da Polícia Federal no Rio de Janeiro 26/01/2017 REUTERS/Ueslei Marcelino

(Reuters) – A Polícia Federal cumpriu nesta sexta-feira nove mandados de busca e apreensão em São Paulo e no Paraná como parte de investigações sobre suspeita de pagamento de propina a agentes públicos e políticos envolvendo as obras de construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, em nova fase da operação Lava Jato.
Um dos focos da operação é o ex-ministro e ex-deputado federal Antônio Delfim Netto, suspeito de receber 15 milhões de reais em propina por sua atuação na estruturação do consórcio Norte Energia, responsável pela obras da usina, informou o Ministério Público Federal (MPF) em comunicado.

“As provas indicam que o ex-ministro recebeu 10 por cento do percentual pago pelas construtoras a título de vantagens indevidas, enquanto o restante da propina foi dividido entre o PMDB e o PT, no patamar de 45 por cento para cada partido”, afirmou o MPF.

Segundo as investigações da PF e do MPF, há fortes indícios de que o consórcio Norte Energia foi favorecido por agentes do governo federal para vencer o leilão destinado à concessão da usina. Após ser escolhido, o consórcio direcionou o contrato de construção a empresas que deveriam efetuar pagamentos de propina em favor dos partidos políticos e de seus representantes.

“As provas indicam que o complexo esquema criminoso verificado no âmbito da Petrobras se expandiu pelo país e alcançou também a Eletrobras, em especial nos negócios relativos à concessão e construção da usina Hidrelétrica de Belo Monte”, disse a procuradora da República Jerusa Burmann Viecili, em comunicado.

“Essa obra, além de ter ocasionado graves impactos sociais e ambientais na região que já haviam sido demonstrados pelo Ministério Público Federal, também redundou em elevados prejuízos econômicos para toda sociedade”, acrescentou.

De acordo com a Polícia Federal, os mandados de busca expedidos pelo juiz federal Sérgio Moro, do Paraná, foram cumpridos nas cidades de Curitiba, Guarujá, Jundiaí e São Paulo, dentro da 49ª etapa da Lava Jato. A nova fase recebeu o nome Buona Fortuna.

Em fevereiro do ano passado, policiais federais já haviam cumprido mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) contra Marcio Lobão, filho do senador Edison Lobão (MDB-MA), e o ex-senador Luiz Otávio Campos (MDB-PA), como parte das investigações sobre propinas nas obras de Belo Monte.

A enorme usina no rio Xingu tem como principais sócios a Eletrobras e as elétricas Cemig, Light e Neoenergia, além da mineradora Vale.

A hidrelétrica está orçada em mais de 35 bilhões de reais. A usina já está em operação com algumas turbinas, mas a conclusão do empreendimento é prevista atualmente para 2020. Quando estiver concluída, a usina será uma das maiores do mundo, com 11,2 gigawatts em capacidade instalada.

O consórcio Norte Energia, responsável pelas obras de Belo Monte, não respondeu de imediato a um pedido de comentário na manhã desta sexta-feira sobre a operação da PF.

Além da operação deflagrada nesta sexta, o MPF informou que as investigações envolvendo a usina de Belo Monte ainda prosseguem, “especialmente no que se refere aos pagamentos de vantagens indevidas direcionados ao Partido dos Trabalhadores e a seus representantes, assim como em relação a outras empresas integrantes do consórcio construtor de Belo Monte que destinaram parte da propina inicialmente direcionada aos partidos políticos para o ex-ministro (Delfim Netto) e pessoas a ele relacionadas”.

As investigações envolvendo o esquema de corrupção originaram-se de leniências firmadas pelo Ministério Público Federal com as empresas Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa, disse o MPF.

Por Pedro Fonseca, no Rio de Janeiro

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