BRASÍLIA (Reuters) – O presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), reassumiu no início da noite desta terça-feira a cadeira de presidente da Casa e iniciou o encaminhamento da votação da reforma trabalhista, após a senadora Fátima Bezerra (PT-RN), que ocupava a cadeira, desocupar o assento quando Eunício deu início ao processo de votação de outra cadeira da Mesa Diretora.

O presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), retomou sessão do Senado e encaminha votação da reforma trabalhista
O presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), retomou sessão do Senado e encaminha votação da reforma trabalhista

A sessão para votar a reforma, inicialmente marcada para a manhã desta terça, foi interrompida por quase sete horas por um protesto liderado, além de Fátima Bezerra, pelas senadoras Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) e Gleisi Hoffmann (PT-PR), presidente do partido.

As parlamentares ocuparam a Mesa Diretora da Casa impedindo Eunício de presidir a sessão. O presidente então determinou que as luzes do plenário fossem apagadas e os microfones, desligados.

Eunício afirmou que nem na época da ditadura militar a Mesa havia sido ocupada. As senadoras, por sua vez, afirmam que o texto retira direito dos trabalhadores e pediam a aprovação de uma emenda à proposta que impeça que mulheres grávidas e em período de amamentação trabalhem em lugares insalubres.

Por volta das 18h30, num gesto inusual, Eunício começou a presidir a sessão com microfone em punho de uma das seis cadeiras da Mesa Diretora. A cadeira de presidente mais à esquerda, era ocupada por Fátima Bezerra. Ele passou a pedir que os líderes partidários encaminhassem a votação.

A atitude do presidente do Senado gerou protestos de parlamentares. Gleisi passou a cobrar no ouvido de Eunício direito dos senadores a falar. Ele disse que só daria a palavra aos senadores se permitissem que ele sentasse no seu assento.

“Calma, briga não vai resolver”, respondia o peemedebista.

Fátima Bezerra então levantou da cadeira do presidente e Eunício passou a ouvir o encaminhamento da votação da reforma.

No início da sessão, Eunício disse que, além de votar o projeto que veio da Câmara, iria colocar em votação três destaques apresentados pela oposição, o principal deles é o que impede o trabalho em locais insalubres para mulheres grávidas e que amamentam.

Se um dos destaques for aprovado, o texto da reforma terá de retornar para a Câmara -medida que não agrada ao presidente Michel Temer.

Os deputados estão às voltas com a análise da denúncia de corrupção passiva contra Temer feita pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e mais denúncias devem ser feitas futuramente.

Com reportagem de Eduardo Simões em São Paulo

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