A China é a maior parceira comercial e a única grande aliada de Pyongyang, mas o comércio bilatera. EUA querem “ações concretas” da Coreia do Norte antes de negociações.

Trump durante evento em Washington 8/3/2018 REUTERS/Leah Millis
Trump durante evento em Washington
8/3/2018 REUTERS/Leah Millis

WASHINGTON (Reuters) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não se reunirá com o líder norte-coreano, Kim Jong Un, a menos que Pyongyang tome “ações concretas”, afirmou a Casa Branca nesta sexta-feira, quando líderes mundiais comemoraram uma possível aproximação entre os dois países.

“O presidente não terá a reunião sem ver etapas concretas e ações concretas da Coreia do Norte, então o presidente realmente está buscando algo”, disse a porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders.

Ela não especificou quais ações a Coreia do Norte precisa realizar, mas seus comentários são um sinal de que o fim de um impasse entre os dois países em relação ao programa de armas nucleares da Coreia do Norte não é iminente.

Líderes mundiais, no entanto, comemoraram as perspectivas de um apaziguamento no longo impasse nesta sexta-feira depois que Trump disse estar preparado para um encontro inédito com o líder norte-coreano.

Trump e Kim provocaram temores em todo o mundo no ano passado ao trocar insultos beligerantes devido às tentativas norte-coreanas de desenvolver uma arma nuclear capaz de atingir o território continental dos EUA, desafiando resoluções do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

Mas as tensões diminuíram por ocasião da Olimpíada de Inverno da Coreia do Sul do mês passado, que abriu caminho para o que seria o primeiro encontro entre os líderes da Coreia do Norte e dos EUA e a maior aposta de política externa de Trump desde que tomou posse em janeiro de 2017.

“Uma reunião está sendo planejada”, postou Trump no Twitter depois de aceitar um convite para se encontrar com Kim. Ainda não há data nem local para o encontro, mas ele pode ocorrer em maio.

Uma autoridade de alto escalão do Departamento de Estado norte-americano disse que as conversas provavelmente só seriam uma discussão preliminar sobre a realização de futuras negociações.

O presidente chinês, Xi Jinping, disse a Trump em um telefonema nesta sexta-feira que valoriza seu desejo de resolver a questão norte-coreana politicamente, segundo a mídia estatal da China.

Xi disse que “espera que os Estados Unidos e a Coreia do Norte iniciem contatos e um diálogo assim que possível e se empenhem para chegar a resultados positivos”.

A China é a maior parceira comercial e a única grande aliada de Pyongyang, mas o comércio bilateral recuou nos últimos meses devido à implantação de sanções econômicas dos EUA.

Trump vem cortejando a ajuda de Xi com frequência para conter o regime norte-coreano.

O diretor do Escritório de Segurança Nacional da Coreia do Sul, Chung Eui-yong, falando em Washington na quinta-feira depois de colocar Trump a par de uma reunião de autoridades sul-coreanas com Kim ocorrida no início desta semana, disse que o norte-americano concordou em se reunir com Kim até maio em resposta ao convite deste último.

Kim se “comprometeu com a desnuclearização” e com a suspensão dos testes nucleares e de mísseis, disse Chung.

A neutra Suíça, que muitas vezes é sede de cúpulas, disse que estava pronta para facilitar a reunião. A Suécia também pode desempenhar um papel. O ministro das Relações Exteriores da Coreia do Norte, Ri Yong Ho, vai visitar a Suécia no futuro próximo.

Uma reunião entre Trump e Kim seria uma grande reviravolta depois de um ano no qual a Coreia do Norte realizou uma bateria de testes de mísseis que Washington vê como provocações e de uma avalanche de insultos mútuos entre os dois líderes.

Um democrata destacado da Câmara dos Deputados dos EUA disse que o presidente republicano precisará da ajuda de outros no governo se for confrontar Kim em uma questão complexa como armas nucleares e geoestratégia.

Trump aceitou se reunir com Kim sem qualquer precondição, disse outra autoridade sul-coreana.

“Kim Jong Un falou sobre desnuclearização com representantes sul-coreanos, não só sobre um congelamento”, tuitou Trump na noite de quinta-feira.

Por Christine Kim em Seul e Jeff Mason, David Brunnstrom, Matt Spetalnick, Steve Holland, Yara Bayoumy e John Walcott em Washington; reportagem adicional de Eric Beech, Mohammad Zargham, Susan Cornwell e Susan Heavey em Washington, Kaori Kaneko em Tóquio e Ben Blanchard em Pequim

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