Investimentos
estrangeiros somam
US$ 34,7 bilhões e
são os maiores desde
1947
Resultado, obtido
até outubro, supera
recorde anterior de
US$ 34,6 bi.
Ao mesmo tempo,
déficit em conta
corrente sobe para
US$ 24,7 bilhões.
sábado, 29/11/08 16:35:07
Atualizada em
sábado, 29/11/08 16:35:07
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Em
meio à crise financeira internacional,
que tem gerado quedas das bolsas de
valores ao redor do mundo e disparada da
taxa de câmbio no Brasil, os
investimentos estrangeiros diretos na
economia brasileira continuaram a subir
e, na parcial de janeiro a outubro deste
ano, somaram US$ 34,74 bilhões, segundo
números divulgados nesta segunda-feira
(24) pelo Banco Central. Somente em
outubro, o pior mês da crise financeira,
os investimentos estrangeiros somaram
US$ 3,9 bilhões.
Com isso, mesmo antes do fim do ano, os
investimentos estrangeiros
diretos atingiram o maior valor da série
histórica do Banco Central, que tem
início em 1947. O recorde anterior havia
sido registrado em todo o ano de
2007, com US$ 34,6 bilhões. A estimativa
do Banco Central, até o momento, é de
que os investimentos diretos somem US$
35 bilhões.
Entretanto, com o resultado até outubro
e parcial de novembro, este número já
está defasado. Segundo o chefe do
Departamento Econômico do BC, Altamir
Lopes, os investimentos estrangeiros
somaram US$ 2,35 bilhões em novembro,
até esta segunda-feira (24). A previsão
para todo este mês é de um ingresso de
US$ 2,8 bilhões. Se confirmado o número,
os investimentos totalizarão US$ 37,5
bilhões na parcial até novembro - bem
acima do recorde anterior de US$ 34,6
bilhões.
"Se a crise financeira se manifestar nos
investimentos, vai ser em um prazo
maior. Os investimentos em curso
geralmente não são interrompidos. Há uns
seis mees de defasagem na decisão sobre
os investimentos. Quiçá a crise não
tenha influência nos fluxos de
investimentos estrangeiros nos próximos
meses", disse Lopes, do BC. O mercado
financeiro, porém, já revisou nas
últimas semanas de US$ 30 bilhões para
US$ 25 bilhões a previsão para
investimentos estrangeiros diretos em
2009.
Setores e investidores
Por setores, o que mais recebeu
investimentos diretos neste ano, segundo
dados do BC, foi o de Serviços, com US$
13,9 bilhões de janeiro a outubro.
Dentro deste setor, se destacaram os
serviços financeiros, o comércio, as
atividades imobiliárias e a construção
de edifícios.
A indústria, por sua vez, recebeu US$
10,7 bilhões em investimentos diretos
até outubro, com destaque para
metalurgia (US$ 4,7 bilhões), produtos
alimentícios, derivados de petróleo e
veículos automotores. Já a agricultura
recebeu US$ 7,5 bilhões em investimentos
estrangeiros, sendo US$ 5,7 bilhões para
a extração de minerais metálicos.
Já os principais países que investiram
no Brasil, até outubro deste ano, foram:
Estados Unidos (US$ 5,7 bilhões),
Luxemburgo (US$ 4,26 bilhões), Países
Baixos (US$ 3,74 bilhões), Espanha (US$
2,91 bilhões), França (US$ 2,16
bilhões), Ilhas Cayman (US$ 1,41 bilhão)
e Canadá (US$ 1,40 bilhão).
Contas externas
Mesmo com a forte entrada de
investimentos estrangeiros diretos, que
são voltados para o setor produtivo, a
situação das contas externas brasileiras
não está tão confortável.
Segundo o BC, o déficit em transações
correntes (balança comercial, serviços e
rendas) - um dos principais indicadores
do setor externo brasileiro - somou US$
24,7 bilhões de janeiro a outubro deste
ano. Somente em outubro, o resultado
negativo das contas externas, informou a
autoridade monetária, foi de US$ 1,5
bilhão.
Para todo este ano, a estimativa do BC
permaneceu em um rombo de US$ 28,8
bilhões nas contas externas. Se
confirmado, este será o maior déficit
desde 1998, e o terceiro pior número da
série histórica da autoridade monetária,
que tem início em 1947. Entretanto, o
déficit ainda está sendo financiado pelo
ingresso de investimentos estrangeiros
diretos.
Razões para o déficit
A deterioração das contas externas neste
ano, de acordo com a autoridade
monetária, está relacionada com a piora
da balança comercial brasileira, cujo
saldo teve queda, até 16 de novembro, de
37,2%, além do aumento significativo no
volume de remessas de lucros e
dividendos pelas empresas
multinacionais.
De janeiro a outubro deste ano, as
remessas de lucros somaram US$ 29,3
bilhões, mais do que o registrado em
todo o ano passado (saída de US$ 22,4
bilhões). Além disso, o dólar, que
estava mais barato até a piora da crise
financeira, em meados de setembro,
também contribuiu para a saída de
recursos por causa do aumento das
viagens, e consequentemente dos
gastos, de brasileiros ao exterior.
Conta de capital
No caso da conta de capital e
financeira, pela qual transitam os
investimentos estrangeiros diretos, as
remessas de lucros e dividendos e os
investimentos em carteira de
estrangeiros (ações e renda fixa, entre
outros), o BC informou que foi
registrado um superávit de US$ 41,8
bilhões de janeiro a outubro deste ano.
Com isso, o balanço de pagamentos
brasileiro, que engloba todas as
transações do Brasil com o exterior,
teve superávit de US$ 15,3 bilhões
nos dez primeiros meses de 2008.
Fonte G1
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