ENFOQUE-Crise e formação insuficiente dificultam empregabilidade de recém-formados do ensino superior privado

Portal Brasil reúne informações sobre Fundo de Financiamento Estudantil ENFOQUE-Crise e formação insuficiente dificultam empregabilidade de recém-formados do ensino superior privado
Portal Brasil reúne informações sobre Fundo de Financiamento Estudantil
ENFOQUE-Crise e formação insuficiente dificultam empregabilidade de recém-formados do ensino superior privado

Por Gabriela Mello

SÃO PAULO (Reuters) – O governo federal investiu bilhões de reais nos últimos anos em ensino superior privado, mas a crise que atinge o país e deficiências históricas na formação básica dos alunos, bem como nas grades curriculares de instituições particulares, ameaçam deixar os estudantes sem alternativas em suas áreas de escolha.

Um dos principais instrumentos da política governamental de acesso à educação superior, o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) recebeu aporte de 14,09 bilhões de reais em 2015, uma verba 16 vezes maior que a de 880 milhões de reais alocada para 2010. Mas esses e outros esforços vêm esbarrando no descompasso cada vez maior entre as taxas de matrículas e concluintes.

De 2010 para 2015, o número de matriculados no ensino superior do país subiu pouco mais de 47 por cento, já o de concluintes divergiu, crescendo cerca de 38 por cento, conforme dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep).

Cálculos da Associação Brasileira das Mantenedoras do Ensino Superior (Abmes) com base nos números mais recentes disponibilizados pelo governo federal indicam que apenas 42 por cento daqueles que se matricularam em 2012 concluíram os cursos em 2015. O percentual é inferior ao de 44 por cento observado entre 2010 e 2013, período em que a economia brasileira estava em expansão e o país contava com uma situação de pleno emprego.

E essa realidade tende a persistir neste ano, à medida que os indicadores de trabalho do país seguem deteriorados. Ao final do trimestre encerrado em novembro, a taxa de desemprego no Brasil atingiu 11,9 por cento, com um recorde de 12,1 milhões de pessoas desocupadas.

Num ambiente em que a disputa por vagas de trabalho entre os egressos do ensino superior se acirra, o critério de seleção baseado na reputação da instituição de ensino frequentada pelos estudantes tende a ganhar peso.

Segundo John Mackenzie, executivo de marketing da empresa de gestão em Recursos Humanos ADP na América Latina, a formação em instituição de renome ainda é vista como diferencial dependendo da vaga disputada. “Quem faz faculdade de primeira linha já larga na frente”, disse, destacando principalmente as carreiras na área de finanças.

Danielle Cobesseira, 23 anos, que cursou Publicidade e Propaganda em uma universidade particular na cidade de São Paulo, diz ter sentido dificuldade para conseguir estágio na área de formação. “Chegaram a me perguntar em entrevista por que não fiz outra faculdade”, disse. A publicitária conta que agora pretende fazer uma pós-graduação em uma instituição de renome em sua área.