O Santander Brasil vai abrir 100 unidades para atendimento ao agronegócio até 2018, como parte de um plano de expansão.

Presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, em entrevista durante o Reuters Latin American Investment Summit 09/08/2017
Presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, em entrevista durante o Reuters Latin American Investment Summit 09/08/2017

SÃO PAULO (Reuters) – O Santander Brasil vai abrir 100 unidades para atendimento ao agronegócio até 2018, como parte de um plano de expansão num setor que deve passar a conviver com menos crédito subsidiado, disse o presidente-executivo do banco.

“Qualquer banco que queira crescer forte no Brasil precisa ter uma participação importante no agronegócio”, disse Sergio Rial durante o Reuters Latin American Investment Summit.

Egresso de grandes empresas do agronegócio como Cargill e Marfrig, das quais foi executivo, Rial elegeu o setor, responsável por cerca de 20 por cento do PIB do país, como um dos vetores de crescimento do banco do qual assumiu o comando há quase dois anos.

Desde então, o Santander Brasil dobrou para oito por cento a participação do crédito para o setor, superando os rivais privados, mas ainda bem atrás do líder Banco do Brasil.

As lojas que o Santander Brasil já começou a abrir, todas em regiões interioranas do país, têm um modelo diferente das agências tradicionais, e são mais voltadas para originação de negócios, explicou o executivo.

Nelas devem ser oferecidos produtos desenhados para as necessidades do setor, como linhas de crédito com prazo de carência para produtores rurais, para começarem a ser pagas em épocas de colheita.

“Oferecer produtos específicos aí exige conhecimento do ecossistema, não é um negócio para amadores”, disse Rial.

Maior banco internacional no país, o Santander Brasil tem se aproximado do passo dos principais rivais privados locais, após anos crescendo menos e com rentabilidade bastante inferior.

Principal unidade do espanhol Santander no mundo, o banco informou no fim de julho que o lucro no Brasil no segundo trimestre disparou 40 por cento sobre um ano antes, apoiado em parte no crescimento do crédito, ao contrário de Itaú Unibanco e Bradesco que tiveram contração.

Com isso, a rentabilidade do Santander Brasil sobre o patrimônio se aproximou de 16 por cento, ante média de 20 a 22 por cento dos rivais.

Para Rial, diante do ciclo de corte da taxa básica de juros, os rivais privados do Santander Brasil terão maior pressão sobre a rentabilidade, dado que as margens de lucro com operações de crédito tendem a cair e teriam que ser compensadas com aceleração dos volumes de negócios.

“O ROE (retorno sobre o patrimônio, na sigla em inglês) dos bancos serão desafiados”, disse Rial. “Mas eu tenho zero preocupação com o nosso ROE.”

Além do agronegócio, o Santander Brasil tem apostado em cartões de crédito e adquirência, consignado e financiamento imobiliário como suas principais segmentos para expansão.

REFORMA TRABALHISTA

O presidente do Santander Brasil disse que ainda não consegue medir as economias administrativas que o banco terá após a entrada em vigor da reforma trabalhista, aprovada no mês passado pelo Senado. Mas já sabe como usará esse recursos.

“As economias serão usadas para retreinamento dentro do banco para situações que nossos funcionários vão enfrentar no futuro”, disse.

Edição Alberto Alerigi Jr.

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