Brasil mantém ritmo de corte de taxa, sinaliza maiores avanços

Banco Central reduziu nesta quarta-feira a taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual pela segunda vez seguida, a 12,25 por cento
O BC ressaltou que a economia, que nos últimos dois anos viveu forte recessão e ainda dá sinais mais tímidos de recuperação

Por Alonso Soto e Silvio Cascione

BRASÍLIA – O Banco Central do Brasil manteve o ritmo de redução das taxas de juros, como esperado na quarta-feira, mas sinalizou que os legisladores poderiam intensificar a flexibilização monetária na tentativa de puxar a economia da pior recessão de sempre.

Em uma votação unânime, o comitê de política monetária de 9 membros do Banco, conhecido como Copom, reduziu sua taxa Selic BRCBMP = ECI em 75 pontos base pela segunda vez consecutiva para 12,25% – a menor desde março de 2015.

Sindicatos e grupos empresariais pediram um corte de 100 pontos base para reduzir alguns dos maiores custos de empréstimos do mundo, o que, segundo eles, poderia prejudicar a recuperação.

Uma rápida queda na inflação, que poderia terminar o ano abaixo do objetivo oficial de 4,5%, fortaleceu o argumento para uma redução mais audaciosa da taxa depois que o banco surpreendeu os mercados cortando mais do que o esperado em sua última reunião.

Em sua declaração de decisão, o banco disse que um corte mais ágil da taxa dependeria da economia e da inflação.

“Uma possível aceleração do ritmo de flexibilização monetária dependerá não apenas da extensão estimada do ciclo, mas também da evolução da atividade econômica, dos outros fatores de risco e das expectativas e expectativas de inflação”, disse o banco.

Acrescentou que a duração do ciclo de atenuação dependeria da taxa de juro estrutural, que é a taxa global da economia neutra à inflação.

O banco baixou a previsão de inflação de 2017 em seu cenário de mercado para cerca de 4,2 por cento de 4,4 por cento anteriormente, abaixo do ponto médio de 4,5 por cento da meta oficial. Para 2018, manteve o cenário de mercado previsto em 4,5 por cento.

O banco não divulgou suas previsões de cenário base.

CORTE MAIS GRANDE

Embora ligeiramente acima das expectativas, os dados oficiais na quarta-feira mostraram que a inflação anual caiu para perto de 5% em meados de fevereiro, em parte devido à forte valorização da moeda BRBY.

Analistas disseram que mais surpresas no sentido da inflação poderiam levar a cortes de taxas mais agressivos.

“A declaração foi muito neutra, mas não disse nada que impeça um corte maior na próxima reunião do banco”, disse Raphael Ornellas, economista do Brasil Plural, com sede em São Paulo.

Juan Jensen, economista-chefe da 4E Consultoria, disse que a decisão do banco provocaria um debate sobre a taxa de juros estrutural da economia brasileira.

“Ninguém sabe ao certo onde essa taxa está, mas o banco pode sinalizar que quer uma taxa menor para levar a política monetária para território expansionista”, disse Jensen, acrescentando que está considerando rever sua previsão de 9,5% no final do ano Selic.

Até recentemente, o chefe do banco central, Ilan Goldfajn, havia sinalizado que os políticos manteriam o ritmo atual de cortes nas tarifas para evitar que as expectativas de inflação caíssem para perto do ponto médio após anos.

A recessão do Brasil, o pior de sua história, deixou milhões de desempregados e faliu em centenas de empresas, elevando a pressão sobre a Goldfajn para baixar as taxas.

Diante de uma crise fiscal extenuante, o presidente Michel Temer está confiando na queda das taxas de juros para sair de uma recessão que ameaça esticar em um terceiro ano.

No entanto, a queda acentuada da inflação provocou um debate dentro de sua administração sobre se a meta de inflação de 2019 do governo, decidida em junho, deveria ser fixada em um nível mais baixo. Isso pode diminuir o ritmo da flexibilização monetária.

O Brasil introduziu uma meta de taxa de inflação em 1999. O atual objetivo de 4,5% foi adotado para 2005, originalmente com uma margem de tolerância de mais ou menos 2,5 pontos percentuais. Em 2015, o governo estreitou o intervalo para mais ou menos 1,5 pontos percentuais.

(Reportagem de Alonso Soto, edição de Andrew Hay e Frances Kerry)

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