Governo vai reduzir meta de superávit diante do impacto da desaceleração

Governo vai reduzir meta de superávit diante do impacto da desaceleração
Governo vai reduzir meta de superávit diante do impacto da desaceleração

Por Alonso Soto

BRASÍLIA (Reuters) – O governo vai reduzir a meta de superávit primário para 2015 diante da queda na receita tributária, mas planeja anunciar novos cortes no Orçamento para mostrar compromisso com a austeridade, disseram à Reuters duas autoridades familiarizadas com a decisão.

A redução da meta de superávit primário de 66,3 bilhões de reais, o equivalente a 1,1 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), será anunciada nesta quarta-feira, segundo as autoridades.

O corte da meta mostra o quanto será difícil para o governo da presidente Dilma Rousseff fortalecer as finanças do país depois de anos de excessos e em meio a uma dolorosa desaceleração econômica.

Ambas as autoridades, que não quiseram ser identificadas pois o anúncio ainda não é público, não falaram em quanto a meta será cortada ou o tamanho dos cortes orçamentários.

“A redução da meta será consistente com a situação atual”, afirmou uma das autoridades. “Será uma redução forte”.

Muitos economistas do mercado esperam que o superávit primário feche o ano entre 0,6 por cento e 0,8 por cento do PIB, refletindo a expectativa de que a economia contraia quase 2 por cento neste ano.

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, resistiu inicialmente a reduzir a meta por temer que enviaria o sinal errado aos mercados sobre o compromisso do governo com o ajuste fiscal.

Para apaziguar esses temores o governo também anunciará cortes adicionais nos gastos que podem alcançar 15 bilhões de reais, de acordo com a autoridade. Em maio, o governo prometeu cortar 70 bilhões de reais em gastos para restaurar sua credibilidade com investidores.

Levy disse na terça-feira que uma possível redução da meta não significava o fim do ajuste.

Pela maior parte da década passada o país registrou superávits primários acima de 3 por cento do PIB à medida que controles de gastos mais rígidos e a bonança das commodities enchiam os cofres públicos.

Isso mudou quando Dilma assumiu a Presidência em 2011 e concedeu bilhões de reais em isenções fiscais para empresa em uma tentativa fracassada de reanimar a economia estagnada.

Desde sua reeleição em outubro, Dilma adotou políticas mais amigáveis ao mercado e prometeu reequilibrar as contas públicas para evitar que o país perca o cobiçado grau de investimento.

No entanto, a forte queda nas arrecadações tributárias causada pela desaceleração econômica acabou com as esperanças do governo de atingir sua meta original.

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