Mercados europeus se preparam para abalo depois de “Não” grego

Mercados europeus se preparam para abalo depois de "Não" grego
Mercados europeus se preparam para abalo depois de “Não” grego

LONDRES (Reuters) – Os mercados acionários e de dívida da Europa devem sofrer um forte abalo na segunda-feira depois que a população da Grécia rejeitou duros termos de austeridade previstos em um pacote de ajuda econômica ao país. Executivos do setor financeiro afirmam que a resposta do Banco Central Europeu é chave para se determinar o tamanho do contágio.

Muitos economistas, incluindo os do banco norte-americano JP Morgan, reconhecem que o resultado do referendo neste domingo vai provavelmente acelerar a saída da Grécia da zona do euro.

“Apesar da situação ser fluída, neste momento a saída da Grécia da zona do euro parece mais provável”, disse Malcolm Barr, do JP Morgan, em relatório a clientes enviado neste domingo. Ele acrescentou que a exclusão grega do euro, que passou a ser conhecida como “Grexit”, é o cenário base do banco.

“O ‘Não’ provavelmente significa saída do euro”, disse o britânico Barclays.

Em negócios na região Ásia-Pacífico, o euro caía mais de 1 por cento contra o dólar e mais de 2 por cento contra o iene.

Apesar da desvalorização da moeda em si não ser prejudicial à economia da zona do euro, a reação de outros mercados de dívida no sul da zona do euro e o comportamento dos mercados acionários na segunda-feira serão uma melhor medida sobre o tipo de choque produzido pelo referendo grego.

Até sexta-feira, muitos investidores tinham assumido que o ‘Sim’ venceria o plebiscito.

A posição do Banco Central Europeu sobre se continuará a fornecer recursos emergenciais aos bancos gregos, fechados na semana passada e que estão reforçando controles sobre saques, será decisiva.

Fontes próximas do assunto afirmaram neste domingo à Reuters que o BCE continuará a financiar os bancos sob os níveis restritivos da semana passada.

Mas muitos bancos afirmam que o banco central precisa emitir um comunicado sobre medidas anticontágio da crise grega, talvez manifestando a possibilidade de acelerar ou expandir a política de aquisição de títulos conhecida como “quantitative easing” para acalmar os mercados.

“O BCE tem sido claro: se precisarmos fazer mais, faremos mais. Encontraremos os instrumentos necessários”, disse Benoit Coeure, membro executivo do BCE, neste domingo.

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