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Em um discurso dominado por temas de
política externa, o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva defendeu, durante
sua participação no Fórum Social Mundial
na noite de terça-feira, a atuação no
Brasil no Haiti e que os interesses dos
países pobres devem ser respeitados nas
negociações sobre o clima.
"Queremos igualdade de condições e
respeito à soberania e aos interesses
estratégicos de cada país", disse Lula.
Segundo o presidente, o Brasil estaria
"pronto para o debate" sobre o clima e
deve reafirmar as metas de redução de
emissões de gases e de desmatamento em
uma segunda rodada de negociações que
deve acontecer ainda este ano no México.
O objetivo da nova reunião seria tentar
superar o fracasso da COP 15.
Para Lula, todos os países precisam
assumir responsabilidade, mas as nações
mais desenvolvidas devem arcar com um
ônus maior.
"Cada um trate de limpar sua própria
sujeira", disse o presidente.
Além da pauta ambiental, o desempenho do
Brasil no Haiti também mereceu destaque
no discurso presidencial. Lula anunciou
que viajará ao Haiti em fevereiro e que
a ajuda brasileira deve incluir a
construção de unidades de saúde.
"Estamos ensinando ao mundo como uma
força de paz pode atuar sem provocar
ingerência no país ou praticar
violência," disse o presidente.
CAMINHO DO MEIO
Em tom de balanço, Lula disse que o
último ano de seu governo será dedicado
a consolidar políticas públicas e
institucionalizar as conferências
setoriais como a Conferência de
Comunicação e de Direitos Humanos. Ao
defender iniciativas que estabelecem
mecanismos de participação popular,
aproveitou para criticar "pessoas que
não gostam de chamar o povo para
decidir".
"Tinha
gente que imaginava que
haveria uma guerra nas
conferências, mas foi
uma oportunidade para
ver qual é o caminho do
meio que poderemos
construir", disse o
presidente. |
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É a quinta vez que Lula participa do
Fórum Social Mundial, em Porto Alegre.
Para evitar um possível caráter
eleitoral, toda a comitiva ministerial
foi excluída do palco. Mesmo assim, o
presidente não perdeu a oportunidade de
lembrar sua candidata à sucessão.
"Quanto mesmo (será o investimento para
cumprir as metas ambientais), Dilminha",
dirigindo-se à ministra Dilma Rousseff
(Casa Civil), sentada na primeira
fileira da audiência.
O evento reuniu cerca de 7 mil pessoas,
segundo estimativas da organização.
Pouco mais da metade do ginásio
Gigantinho foi ocupada, público bem
menor que as manifestações tradicionais
nas edições anteriores do Fórum.
(Edição de Alexandre Caverni)