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RIO DE JANEIRO (Reuters) - O ministro da
Defesa, Nelson Jobim, afirmou nesta
quarta-feira que enviou à Comissão
Representativa do Congresso Nacional um
pedido para o envio de mais 1.300
militares para integrar a força de paz
da ONU no Haiti, país devastado por um
forte terremoto na semana passada.
"Conversei com o senador (José) Sarney
pelo telefone e enviei um pedido ao
Senado de 1.300 militares. Inicialmente,
seriam 900 militares, sendo 750 de
Infantaria e 150 policiais do Exército",
Jobim afirmou à Reuters por telefone.
"Estou pedindo 1.300 para ter uma folga,
para uma futura demanda da ONU",
acrescentou.
Segundo o ministro, esse pedido deve ser
discutido na próxima segunda-feira. O
presidente do Senado, José Sarney,
afirmou em nota já ter convocado a
Comissão para uma reunião no dia 25.
"Ainda não sei quanto tempo levaria para
mobilizar todo esse contingente, mas tem
que ser o mais rápido possível", disse
Jobim.
O Conselho de Segurança da ONU aprovou
na terça-feira, por unanimidade, o
aumento temporário no número de tropas e
policiais da entidade no Haiti em 1.500
policiais e 2.000 soldados para ajudar a
manter a segurança e ajudar nos esforços
humanitários.
A Minustah tem contingente de cerca de
9.000 pessoas, sendo pouco mais de 7.000
militares. O Brasil lidera a missão de
paz com 1.266 militares.
Até o momento já foram confirmadas as
mortes de 21 brasileiros, entre eles 18
militares que serviam naquele país.
Jobim, que já esteve no Haiti logo
depois do terremoto, não descarta voltar
ao país caribenho para avaliar os
estragos e a atuação da missão de paz da
ONU.
"Vou conversar amanhã (quinta-feira) com
os generais brasileiros para analisar o
problema das gangues e do aumento da
violência após o terremoto", disse o
ministro.
Na noite de terça-feira o comando
brasileiro no Haiti afirmou em
entrevista coletiva que a segurança está
sob controle, apesar dos saques e
tumultos vistos após a tragédia.
A preocupação aumentou depois que cerca
de 3.000 presos fugiram da cadeia na
sequência do tremor de magnitude 7 que
abalou, sobretudo, a capital Porto
Príncipe no dia 12.
O Comando negou os relatos de que os
bandidos foragidos teriam se organizado
em gangues e tomado a favela de Cité
Soleil, marcada pela violência após a
crise institucional de 2004, quando a
força da ONU foi enviada para
estabilizar o país caribenho.
Segundo autoridades haitianas, entre 100
mil e 200 mil pessoas teriam morrido por
conta do terremoto da semana passada.
Mais de 70 mil corpos já foram
sepultados em covas coletivas.
Nesta quarta-feira, um novo tremor de
magnitude 5,9, registrado inicialmente
com intensidade 6,1, voltou a assustar o
país, provocando pânico entre as pessoas
que acampam nas ruas com medo de
tremores secundários, que são comuns
após grandes abalos sísmicos.