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Alinne
Moraes confessa: nunca viveu um papel
tão difícil na TV. Patricia Poeta
conversou com ela na última sexta-feira,
entre uma e outra gravação de ‘Viver a
vida’.
Um show de interpretação, com ironia,
tristeza, raiva e desesperança.
Quando foi convidada pelo diretor Jayme
Monjardim para viver a Luciana, Alinne
Moraes sentiu a primeira das muitas
emoções necessárias para a personagem
ser tão real.
Quando você recebeu esse convite, bateu
insegurança?
Alinne Moraes, atriz - Olha, eu comecei
a chorar muito. Quando o Jaime [Monjardim]
começou a me contar a história, ele
falou assim: "Ela é uma modelo que está
começando, indo lá para fora, quer o
sucesso". Quando ele começou a contar
sobre o acidente, por segundos, eu me
imaginei ali, porque era mais ou menos a
minha vida, eu fui modelo.
É verdade que você já foi motivo de
gozação dos colegas na escola?
Muito, é normal na adolescência. Quando
eu tinha 8 ou 9 anos eu era a mais alta
da turma, então sempre sentei no fundo,
com a galera da pesada, os repetentes.
Então, era motivo de gozação. Como eu
era a mais alta, eu era chamada de
‘vassoura’. Ou então de ‘bocão Royal’ e
‘beiçola’.
Quando você começou a
desconfiar que essa turma estava errada?
Na família, a gente se sente bem com
pessoas em casa que gostam de você e
dizem o que sentem de verdade. Eu sempre
dei ouvidos a esses elogios: ‘ela é
bonita’ ou ‘ela é fotogênica’.
Para fazer esse papel, você conviveu um
pouco com pessoas deficientes. Como foi
essa experiência?
Eu me apoiei muito na jornalista Flávia
Cintra, que sofreu um acidente há 18
anos. A personagem está tetraplégica,
como a Flávia. Então, eu quis ficar
muito próxima da Flávia para poder
entender como são esses movimentos.
Além de conhecê-la, o que mais vocês fez
para se preparar para esse papel?
Eu acho que você tem que construir a
linha de vida da personagem, fazer tipo
um diário de como ela era com 3, 10, 15
anos. Do que ela gosta e do que não
gosta. Eu faço todo esse trabalho, desde
as coisas mais bobas, como o signo dela,
até o sentimento em relação aos outros
personagens. E fiz expressão corporal
mesmo, fiquei na cadeira com ela muito
tempo. Fui para a casa da Flávia, tive
questões, pesquisei.
Vamos falar então um pouquinho do
primeiro trabalho, que foi em "Coração
de estudante", em 2002. O que você
lembra em especial dessa estreia?
Para mim, era mais um trabalho. Como
modelo, até, eu posso dizer. Eu não
sabia a responsabilidade desse trabalho.
Então, foi muito na brincadeira. Eu
tinha 17 anos e me divertia muito.
Depois, em "Mulheres apaixonadas", em
2003, você viveu o papel de uma
homossexual. Foi a sua primeira novela
das oito. Uma responsabilidade e tanto,
não?
Foi aí que eu entendi a responsabilidade
do trabalho. Eu acho que fui aprendendo
a conduzir cena, ser mais inteligente em
cena, como me emocionar, como ler o
texto.
Anos depois você fez "Duas caras", um
dos papéis de maior destaque da TV, que
foi a vilã Sílvia.
Desde o início eu sabia que eu queria
uma vilã, que eu podia levá-la para essa
vilania toda. Então eu já trazia o
ciúme, a inveja, é o tom que você dá. Aí
cabe ao autor e ver se ele vai comprar
ou não. E nesse caso, ele comprou.
Você é perfeccionista?
Muito.
Você se critica muito?
Muito, muito, muito. Existem cenas em
que eu digo: acertei entre 50% e 70%
dessa cena. Mas comecei errado. Depois,
lá no meio da cena, eu peguei e fui bem.
"Ela é uma atriz que, quando diz 'eu te
amo', as pessoas acreditam. Quando ela
chora, as pessoas acreditam. Quando você
vê as cenas em que ela aparece doente,
com o problema motor, acredita naquilo.
As mãos, o movimento da cabeça, o corpo.
Ela está perfeita", elogia o autor da
novela, Manoel Carlos.
Qual você acha que vai ser o grande
desafio de fazer a Luciana daqui para
frente?
Eu acho que vai ser passar a verdade
para o público, para as pessoas que
também estão nessa situação.