Vencedor do prêmio da mostra paralela Un
Certain Regard, "Dogtooth", do diretor grego Yorgos Lanthimos levaria fácil se
houvesse também um prêmio para o filme mais maluco da mostra. Tamanha é a
criatividade do sujeito, que conseguiu imaginar o bizarro universo de uma
família cujos filhos são criados a vida inteira dentro de uma casa totalmente
murada, sem contato algum com o mundo externo.
Quase adultos na idade, os filhos se comportam como crianças, acreditando nas
mentiras e no vocabulário inventados pelos pais sob o pretexto de protegê-los.
Zumbis, por exemplo, são "pequenas flores amarelas que crescem no jardim" e
gatos são "predadores terríveis, que podem matar e devorar o corpo de uma pessoa
em minutos".
Z de Zzzzzz...
Doze dias ininterruptos de festival, mais de 50 filmes exibidos das 8h às 22h,
entrevistas, reuniões e eventos. Ao final da maratona de Cannes, não
faltavam cinéfilos com olheiras, muitos aproveitando o escurinho do cinema para
tentar botar o sono em dia. Que atire o primeiro rolo de filme quem não cochilou
nem cinco minutinhos em qualquer uma das sessões do festival.
Ame ou odeie-o, o novo
filme de Lars von Trier foi o que mais polêmica conseguiu causar no Festival de
Cannes. Primeira incursão do diretor dinamarquês no cinema de terror, o longa
traz cenas fortíssimas de sexo e mutilação protagonizadas por Willem Dafoe e
Charlotte Gainsbourg. Os jornalistas chiaram, mas o júri gostou e deu a
Gainsbourg o prêmio de melhor atriz.
B de Brasil
Com apenas dois longas-metragens exibidos na programação oficial - e nenhum
concorrendo à Palma de Ouro -, o Brasil teve uma participação bem mais discreta
do que em 2008, quando teve dois filmes competindo e ainda arrematou o prêmio
inédito de melhor atriz para Sandra Corveloni por "Linha de passe". "À deriva",
longa mais autoral de Heitor Dhalia, teve uma boa recepção na sessão Un Certain
Regard. Já "No meu lugar", estreia de Eduardo Valente no formato, foi exibido
para poucos e não empolgou a crítica nacional ou internacional.