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RIO DE JANEIRO (Reuters) - A
pré-candidata do PV à sucessão
presidencial, senadora Marina Silva
(AC), entrou no debate sobre o futuro do
PAC no próximo governo ao afirmar que o
principal programa de infraestrutura da
gestão Lula tem um visão equivocada e
que as obras não se preocupam
devidamente com o impacto social e
ambiental.
"O programas tem um visão equivocada. É
a visão da aceleração pela aceleração.
Precisamos dos investimentos em
infraestrutura, mas ele pode ser feito
de forma cuidadosa com as questões
sociais e ambientais", disse a senadora
a jornalistas nessa sexta-feira no Rio
onde gravou o programa eleitoral do
partido no rádio e na TV que vai ao ar
em 4 de fevereiro.
Marina não falou em acabar com o
Programa de Aceleração do Crescimento
(PAC), como defendeu o presidente
nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra
(PE), o que provocou a ira da base
governista.
Ela avalia, no entanto, que falta uma
visão estratégica e nacional ao programa
de aceleração do crescimento.
"Tem que se pensar a infraestrutura do
país de forma mais estratégica. Não se
trata apenas de ter investimentos
fragmentados. É preciso ter um olhar
mais integrado para o programa",
declarou.
Para Marina, a troca de farpas entre
situação e oposição em torno do PAC
demonstra que a campanha eleitoral já
começou, embora ela só se inicie
oficialmente em julho. Segundo a
senadora, foi o próprio governo que
decidiu antecipar a campanha em uma
tentativa de dar mais visibilidade à
candidatura da ministra Dilma Roussef
(PT).
"Houve um antecipação e fica difícil
para os demais não se colocarem na
pré-campanha. Quando alguém não pode
exigir que os demais fiquem sentados",
disse.
O programa eleitoral do PV vai expor a
biografia de Marina Silva com o objetivo
de torná-la mais conhecida do
eleitorado. Outro tema será a educação.
MARINA NÃO CEDE GABEIRA
Marina disse que não pretende dividir o
deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) com
José Serra (PSDB-SP), provável candidato
da oposição à sucessão presidencial, que
vem tentando ter um palanque no Estado
do Rio.
"Dividir com Serra de jeito nenhum. Sou
possessiva", disse Marina ao lado de
Gabeira.
Gabeira confirmou que será candidato ao
governo do Estado pelo PV e terá um
representante do PSDB como seu vice. O
deputado evitou deixar claro quem
abrigará no palanque.
"Essa negociação (com Serra) está sendo
concluída para saber como será meu
comportamento. Meu trabalho será
trabalhar mais minha candidatura",
declarou.
"Se o modelo for o mesmo usado no Acre,
por exemplo, o candidato a governador
fala do seu candidato a presidente e o
vice do seu candidato", sugeriu.
Gabeira vai representar uma coligação
formada por PV, PSDB, PPS e DEM.
(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)