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O Congresso aprovou nesta segunda-feira
o envio de até 1.300 militares
adicionais ao Haiti, país devastado por
um forte terremoto no último dia 12.
A ideia do governo é enviar
imediatamente 900 militares, dos quais
750 serão de infantaria e 150 do efetivo
da Polícia do Exército. Os demais 400
militares seriam mobilizados se
futuramente o governo achar necessário.
"Diante da crise e do estado de
calamidade em que se encontra hoje o
Haiti, da solicitação de apoio da ONU,
de nossos compromissos internacionais e,
sobretudo, o nosso dever de prestar a
devida ajuda humanitária a um povo
irmão, o Brasil não pode se furtar a
cumprir seu papel de líder internacional
frente à crise haitiana e a prestar o
auxílio devido", declarou em seu voto o
relator da matéria, deputado Mauro
Benevides (PMDB-CE).
A proposta aprovada dobra o contingente
brasileiro no país caribenho, onde o
Brasil lidera a missão de paz da
Organização das Nações Unidas (ONU),
conhecida como Minustah, que tem um
contingente de aproximadamente 9.000
pessoas, sendo 7.000 militares.
Na semana passada, o Conselho de
Segurança da ONU aprovou, por
unanimidade, o aumento temporário no
número de tropas e policiais da entidade
no Haiti em 1.500 policiais e 2.000
soldados para ajudar a manter a
segurança e ajudar nos esforços
humanitários.
Cerca de 3.000 presos fugiram da cadeia
depois do tremor de magnitude 7 que
abalou principalmente a capital Porto
Príncipe e pode ter matado até 200 mil
pessoas. Saques e tumultos também
ocorreram na sequencia da tragédia.
Integrante da base aliada, o senador
Epitácio Cafeteira (PTB-MA) criticou a
iniciativa do governo. Para ele, o
Executivo deveria primeiro dar atenção
às vítimas de enchentes e desabamentos
em todo o Brasil.
"O Brasil não está em condições de
ajudar, mas de ser ajudado", argumentou.
A oposição, entretanto, apoiou a medida
do governo. Para o presidente da
Comissão de Relações Exteriores do
Senado, Eduardo Azeredo (PSDB-MG), o
Brasil tem capacidade para atuar nas
duas frentes.
"Não devemos faltar neste momento (no
Haiti). O Brasil tem condições
financeiras de fazer esse apoio",
destacou Azeredo.
A matéria foi debatida e votada por uma
comissão representativa de deputados e
senadores, uma vez que o Congresso está
em recesso.
(Reportagem de Fernando Exman)