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BRASÍLIA (Reuters) - O Fundo Soberano do
Brasil não terá limites para compra de
dólares no mercado e será usado pelo
governo como mais um instrumento para
conter a volatilidade do câmbio, afirmou
à Reuters o secretário do Tesouro
Nacional, Arno Augustin.
Atualmente, o fundo conta com patrimônio
de 16,3 bilhões de reais, mas Augustin
deixou claro que esse não é um teto para
as aquisições. O Tesouro poderá fazer
novas emissões de dívida, de modo a
garantir recursos extras para as compras
de dólar pelo fundo.
"A gente pode emitir títulos e comprar
moeda estrangeira", disse Augustin nesta
sexta-feira, acrescentando que "não há
limite para isso".
O secretário avaliou que a incidência do
IOF sobre capital externo, introduzida
pelo governo em outubro, foi eficiente
para reduzir a volatilidade das cotações
do dólar, mas destacou a importância de
o governo ter um novo instrumento para
atuar no câmbio.
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Acho importante que fique claro para o mercado que o governo vai usá-lo se necessário", disse Augustin. "Mas isso vai depender da evolução dos indicadores, do nível de equilíbrio, principalmente da moeda."
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As atuações poderão potencialmente
começar assim que um decreto oficializar
a criação do conselho deliberativo que
vai gerir o fundo, disse o secretário.
Caberá ao conselho --formado pelos
ministros da Fazenda e do Planejamento e
pelo presidente do Banco Central--
definir se anunciará previamente suas
intervenções.
Augustin destacou que o próprio fato de
o governo ter à mão instrumentos para
atuar no mercado de câmbio às vezes já é
suficiente para conter a volatilidade.
"Basta, às vezes, o mercado saber que há
o instrumento para que não haja
volatilidade excessiva", afirmou. "Vamos
ver como o pessoal vai reagir."
NOVAS EMISSÕES EXTERNAS
Augustin afirmou ainda que o governo
pretende voltar ao mercado externo com a
emissão de títulos de 10 e de 30 anos em
dólares ainda no primeiro trimestre
deste ano, decisão que dependerá do
comportamento do mercado.
Também é desejo do Tesouro captar no
exterior com títulos em reais ao longo
do ano, com esses mesmos prazos, mas as
condições para essas captações
atualmente são desfavoráveis.
"Não fizemos ainda (emissão em real)
porque achamos que as condições não são
as ideais", afirmou Augustin.
O governo emitiu títulos no mercado
externo em reais pela última vez em
junho de 2007, com a reabertura de um
título de 20 anos de prazo, o mais longo
já emitido na moeda local.
Augustin afirmou que a programação do
Tesouro para este ano preverá também um
aumento da participação dos títulos
prefixados no estoque da dívida
mobiliária interna, mas afirmou que a
parcela desses papéis já está próxima do
ideal.
Em novembro, último dado disponível,
esses papéis respondiam por 60,67 por
cento dos títulos em poder do público.
Para Augustin, o objetivo do governo é
elevar "um pouco" essa participação ao
longo do tempo, até um limite de cerca
de 70 por cento. "Um pouco de LFT é
bom", afirmou Augustin, em referência ao
título pós-fixado atrelado à taxa Selic.
PRIMÁRIO POSITIVO EM DEZEMBRO
A União vai cumprir a meta fiscal de
2009, reiterou Augustin, ao adiantar que
o saldo primário do governo central de
dezembro foi superavitário, ao contrário
do que normalmente ocorre. O dado do
último mês do ano passado só será
divulgado no fim de janeiro.
Em dezembro, o governo central
tradicionalmente tem déficit fiscal por
conta da concentração de despesas com
pessoal, mas Augustin afirmou que em
2009 o saldo ficou positivo.
Isso refletiu, segundo ele, o esforço do
governo de concentrar as medidas
expansionistas nos primeiros três
trimestres do ano.
De janeiro a novembro, o setor público,
incluindo também Estados, municípios e
estatais, registrou superávit primário
equivalente a 2,25 por cento do PIB. A
meta para 2009 é de 2,5 por cento do
PIB, saldo que pode cair a até 1,56 por
cento do PIB descontando investimentos
do Programa de Aceleração do Crescimento
(PIB).
Segundo Augustin, a meta do governo
central será cumprida com o abatimento
de apenas uma parcela da margem
permitida. Até novembro, os
investimentos passíveis de abatimento
somavam 13,5 bilhões de reais.