
O cientista israelense Daniel Shechtman posa para foto em
laboratório de um instituto de tecnologia em Haifa, Israel.
05/10/2011
REUTERS/Baz Ratner
ESTOCOLMO (Reuters) - Um cientista
israelense que já teve seu trabalho desacreditado ganhou nesta
quarta-feira o Prêmio Nobel de Química de 2011 por descobrir diferentes
formas de organização dos átomos no estado sólido.
O trabalho de Daniel Shechtman, que irá receber 10 milhões de coroas
suecas (1,5 milhão de dólares), levou à descoberta dos semicristais, com
aplicações experimentais em inúmeras finalidades -- dos motores a diesel
às frigideiras.
Shechtman descobriu em 1982 que os átomos nos cristais se juntam em
padrões sem repetição -- algo como os intrincados mosaicos árabes. Até
então, o senso comum dizia que esse padrão teria de se repetir.
"Sua descoberta foi extremamente polêmica. Na defesa das suas
descobertas, ele foi convidado a deixar o seu grupo de pesquisas", disse
o Comitê do Nobel para a Química, da Real Academia Sueca de Ciências,
responsável pela premiação.
"No entanto, essa batalha afinal forçou os cientistas a reconsiderarem
seu conceito da própria natureza da matéria", acrescentou a nota. "Os
cientistas estão atualmente experimentando o uso dos semicristais em
diferentes produtos, como frigideiras e motores a diesel.
O comitê lembrou então que as formas matematicamente regulares, mas
infinitamente variadas, são comuns na arte árabe e persa. "Mosaicos
aperiódicos, como os encontrados nos mosaicos islâmicos medievais do
palácio de Alhambra, na Espanha, e na mesquita de Dar-i Imam, no Irã,
têm ajudado os cientistas a entenderem qual é o aspecto dos semicristais
em nível atômico."
Ouvido pela Rádio Israel, Shechtman, de 70 anos, se disse "animado" com
a homenagem, e prometeu para mais tarde uma nota explicando detalhes do
seu trabalho.
O cientista, nascido em Tel Aviv, trabalha no Technion (Instituto de
Tecnologia de Israel), em Haifa (norte). Na época do seu principal
trabalho, ele vivia nos EUA.
A pesquisa de Shechtman foi inicialmente ridicularizada por muitos
cientistas, pois contradizia todos os livros sobre o tema. Um dos seus
críticos mais inflamados foi Linus Pauling, ganhador de dois prêmios
Nobel. Mas, em 1992, a União Internacional de Cristalografia alterou,
com base no trabalho do israelense, sua definição sobre o que é um
cristal.
Nas últimas três décadas, centenas de semicristais foram sintetizados em
laboratórios, e, há dois anos, cientistas relataram a inédita descoberta
de um semicristal natural, numa amostra russa contendo alumínio, cobre e
ferro.
(Reportagem adicional de Simon Johnson em Estocolmo; Ben Hirschler em
Londres; e Dan Williams em Jerusalém)
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