
O primeiro-ministro britânico David Cameron acena ao voltar para seu
hotel no 1o dia da Conferência anul do Partido Conservador, em
Manchester, norte da Inglaterra. A Europa deve urgentemente acertar
o seu sistema bancário e gerenciar suas dívidas, disse Cameron neste
domingo. 02/10/2011
REUTERS/Phil Noble
MANCHESTER, Inglaterra (Reuters) - A
Europa deve urgentemente acertar o seu sistema bancário e gerenciar suas
dívidas, disse o primeiro-ministro britânico, David Cameron, no domingo.
Ele advertiu que a crise da zona do euro pode prejudicar a recuperação
da economia da Grã-Bretanha e o crescimento global.
Em seu discurso na abertura da conferência anual do Partido Conservador,
Cameron disse que iria manter os planos de sua coalizão para a redução
do déficit, apesar dos sinais de estagnação da economia britânica.
Ele também sustentou que a Grã-Bretanha deve continuar como parte da
União Europeia, decepcionando a direita do seu partido, que vê a crise
continental como uma oportunidade para um fim abrupto às quatro décadas
de integração com os parceiros da europeus.
Uma crise econômica prolongada no resto da Europa, o principal mercado
de exportação do Reino Unido, vai prejudicar o país. O governo tenta
reequilibrar sua economia por meio do aumento da venda de bens
britânicos e serviços no exterior.
"A zona euro é uma ameaça não apenas para si, mas também é uma ameaça
para a economia britânica e uma ameaça à economia mundial", disse
Cameron.
"É preciso tomar decisões nas próximas semanas para fortalecer os bancos
da Europa, para construir as defesas que a zona euro precisam, para
lidar com os problemas da dívida. Eles têm que fazer isso agora. Eles
têm que chegar à frente dos mercados agora", declarou o
primeiro-ministro britânico.
O governo de coalizão Conservador-Liberal Democrata, no poder desde maio
de 2010, está cada vez mais preocupado com a falta de crescimento na
economia britânica. Críticos do governo dizem que o seu plano de
austeridade só está piorando a economia.
Milhares de pessoas protestaram diante do local da conferência, no norte
da cidade de Manchester, contra cortes profundos nos gastos públicos que
levam à perda de mais de 300.000 postos de trabalho.
A coligação argumenta que lidar com as dívidas da Grã-Bretanha
decisivamente é o único caminho para restaurar crescimento a longo prazo
e a estabilidade, e também para manter os mercados financeiros a salvo.
"Você não pode subitamente rasgar seus planos de empréstimo e dívida,
pois são esses planos que nos garantem as baixas taxas de juros, que são
absolutamente fundamentais para a recuperação econômica", disse Cameron.
O premiê afirmou que tudo deve ser feito para colocar "fogo nos motores
da economia britânica". Ele revelou os planos para colocar terras
públicas à disposição para o programa "Construa Agora, Pague Depois"
para empreendimentos imobiliários, que segundo ele vão significar 100
mil casas construídas e 200 mil empregos criados.
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