
O australiano Travis Beard faz sua performance durante o
Sound-Central, festival de música de um dia em Cabul. Sound Central,
organizado por Beard, um fotojornalista australiano, foi algo
inédito em um país islâmico profundamente conservador, onde a música
era proibida sob o regime austero do Talibã. Mesmo agora, lojas de
música são atacadas em algumas cidades e músicos perseguidos por
seus trajes ou cabelos. 01/10/2011
REUTERS/Ahmad Masood
CABUL (Reuters) - O rock ao vivo
voltou neste sábado ao Afeganistão depois de três longas décadas
ausente, e homens e mulheres jovens aplaudiam e pulavam no ar ao som de
batidas de punk rock.
Bandas da Austrália, Uzbequistão, Cazaquistão e Afeganistão apresentaram
um banquete musical de seis horas de blues, indie, música eletrônica e
death metal a centenas de fãs, muitos dos quais nunca viram shows de
música ao vivo antes.
Sound Central foi algo inédito em um país islâmico profundamente
conservador, onde a música era proibida sob o regime austero do Talibã.
Mesmo agora, lojas de música são atacadas em algumas cidades e músicos
perseguidos por seus trajes ou cabelos.
O festival teve um sotaque distintamente afegão, com o álcool proibido e
kebabs como os únicos alimentos disponíveis e um respeito por valores
religiosos fortes em meio ao rock and roll.
As bandas deixaram o palco e os microfones foram desligados duas vezes
no final da tarde para permitir que a chamada às orações das mesquitas
vizinhas não fosse interrompida.
"Onde eu moro não há nada assim. Eu ouvi falar disso, então tive que
vir", disse Ahmad Shah, que veio de Kandahar, uma cidade no sul do país
mergulhada na violência de insurgentes.
"Eu vim para escapar do câncer do Talibã e essa é uma mudança
refrescante".
A violência atingiu seu auge no Afeganistão desde que as forças apoiadas
pelos Estados Unidos derrubaram o Talibã em 2001.
Jovens afegãos se aproximaram da beira do palco, pulando e jogando os
braços para o ar ao som da banda local White Page, e o punhado de
guardas de segurança tiveram trabalho para contê-los.
A multidão se afastou rapidamente quando um homem vestindo jeans e uma
camiseta justa foi ao chão para improvisar uma dança estilo "break".
O festival aconteceu em meio a forte segurança em um canto dos
pitorescos Jardins Babur, um parque geralmente tranquilo ao redor do
túmulo centenário de Babur, o primeiro imperador Munghal.
A data e o local foram mantidos em segredo até o último momento para
evitar a chance de um ataque insurgente.
Apesar do sigilo, o evento atraiu mais de 450 pagantes e centenas mais
se aglomeravam nas ruas comerciais vizinhas. Alguns homens idosos com
turbantes e longas barbas pareciam surpresos, mas não desaprovadores.
O entusiasmo da multidão convenceu os seguranças e a polícia a entrarem
em cena, balançando as cabeças e mexendo as pernas ao som da música.
O Sound Central foi organizado por Travis Beard, um fotojornalista
australiano que entrou em uma banda quando se mudou para Cabul e se
inspirou no talento e dedicação dos músicos locais.
(Reportagem adicional de Zhou Xin)
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