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O fim da obrigatoriedade do diploma de
jornalismo, determinada pelo STF
(Supremo Tribunal Federal), deve
aumentar a qualidade dos cursos e trazer
mudanças nas grades curriculares ou nas
opções de formação oferecidas.
A opinião é de professores e diretores
dos principais cursos de jornalismo do
país. Para muitos deles, a decisão irá
"reestruturar a categoria".
À frente das escolas de jornalismo,
especialistas preveem a oferta de mais
opções de pós-graduação na área e até a
possibilidade de uma volta ao currículo
em que os alunos faziam primeiro
disciplinas humanísticas e, nos últimos
anos da graduação, as disciplinas
práticas.
A opção abriria a chance para pessoas
com formações em outras áreas cursarem
uma habilitação em jornalismo, mais
curta que um curso universitário
integral. Todas essas possibilidades
estão em discussão no Ministério da
Educação, onde um grupo vem estudando
modificações nos currículos.
Hugo Santos, diretor de Comunicação e
Artes da Estácio Ensino Superior, aposta
em cursos mais tecnológicos e ampliação
das opções de pós-graduação em
jornalismo.
O professor José Marques de Melo, que
atua na Universidade Metodista de São
Paulo, vê nos mestrados
profissionalizantes uma tendência, como
ocorre nos EUA. Apesar disso, ele
defende a boa formação de jornalistas
generalistas, para que os jornais
atendam a um público cada vez mais
amplo.
A valorização da formação universitária
específica na área e a procura por vagas
oferecidas nos vestibulares não devem
sofrer modificações, dizem professores e
diretores.
Muitos comparam o futuro de seus cursos
ao que já ocorre na publicidade
--profissão na qual o diploma não é uma
exigência. "Os empresários da
publicidade procuram estagiários e
profissionais com formação na área e a
procura pelos cursos é muito alta", diz
Ricardo Schneiders, da Universidade
Federal do Rio Grande do Sul.
José Luiz Proença, da Escola de
Comunicação e Artes da USP, lembra que
os cursos de jornalismo são anteriores
ao decreto-lei de 1969 --parcialmente
derrubado pelo STF. "No tempo anterior à
obrigatoriedade [do diploma], os cursos
já tinham procura", diz.
Leonel Aguiar, coordenador do curso de
jornalismo da PUC-RJ, diz que os cursos
"com excelência acadêmica" continuarão
sendo procurados pelos que querem se
iniciar na profissão.
"Quem tem talento e quiser ser um bom
jornalista vai aproveitar muito se
escolher um bom curso", afirma Carlos
Costa, coordenador de Jornalismo da
Cásper Líbero.