Ex-presidente da Funai fala em ingerência política e governo justifica demissão por falta de agilidade, na instituição, enquanto o governo justificou a demissão por falta de agilidade na tomada de decisões.

Ex-presidente da Funai fala em ingerência política e governo justifica demissão por falta de agilidade
Ex-presidente da Funai fala em ingerência política e governo justifica demissão por falta de agilidade

BRASÍLIA (Reuters) – O ex-presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai) Antônio Costa deixou o cargo reclamando de tentativa de ingerência política na instituição, enquanto o governo justificou a demissão por falta de agilidade na tomada de decisões.

Costa teve sua demissão publicada no Diário Oficial da União desta sexta.

“Minha exoneração é atribuída a fatores políticos, ingerências políticas dentro da instituição que eu não permiti e jamais poderia permitir, porque a Funai é composta de cargos técnicos”, disse Costa a jornalista ao deixar a Funai.

“Eu jamais poderia deixa entrar nessa instituição pessoas que não têm nenhum compromisso com as causas indígenas”, acrescentou.

A demissão de Costa já estava acertada há algum tempo, mas foi adiada para depois do dia do índio –19 de abril– e, posteriormente, pela crise envolvendo indígenas no Maranhão, de acordo com uma fonte governista.

Em nota, o ministro da Justiça justificou a demissão pela necessidade de mais agilidade e eficiência no cargo.

“O ministro Osmar Serraglio reafirma que, dada a extrema importância que o governo dá à questão indígena, o órgão necessita de uma atuação mais ágil e eficiente, o que não vinha acontecendo”, diz o texto.

Nomeado por indicação do líder do governo no Congresso, André Moura (PSC-SE), Costa é pastor evangélico, trabalha com indígenas há 20 anos e, segundo ele mesmo afirmou, não é filiado ao PSC.

Ao assumir o cargo, se comprometeu a nomear apenas especialistas para cargos técnicos, como as superintendências regionais do órgão. No último mês, vinha sendo pressionado por Moura e pelo ministro da Justiça, Osmar Serraglio, a aceitar indicações políticas.

“Essa ingerência partiu inicialmente do líder do governo, o qual eu não atendi e jamais atenderia”, afirmou.

Já Serraglio citou, na nota, um pedido que teria sido feito pelo presidente Michel Temer a Costa para resolver a questão de uma linha de transmissão de energia elétrica em Roraima que precisa passar por terras indígenas, e que nada teria sido feito.

“O recém-iniciado contingenciamento de recursos foi estabelecido para todos os órgãos do governo e não afetou o início da gestão de Costa. Há várias questões que demandam soluções e ações urgentes, como o desbloqueio de rodovias em várias partes do país e as demarcações de terras”, diz o texto.

Para Costa, as acusações de incompetência são uma retaliação. “Com toda certeza vou sofrer retaliações, como já fizeram hoje, de que eu estou saindo por incompetência.”

O ex-presidente foi além e falou sobre uma possível extinção do órgão. “Estamos prestes a ver se instalar nesse país uma ditadura que a Funai já está vivendo, uma ditadura que não permite ao presidente da Funai executar as políticas constitucionais”, disse.

A presidência da Funai ficará vaga temporariamente. O Ministério da Justiça não soube informar precisamente quem ficará interinamente no cargo.

(Por Lisandra Paraguassu)

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