Ministro brasileiro apoia tarifa para reduzir importação de etanol nos EUA,após um aumento nos embarques dos Estados Unidos, disse um funcionário na quinta-feira, uma medida que poderia agitar as tensões comerciais com o governo Trump.

Ministro brasileiro apoia tarifa para reduzir importação de etanol nos EUA
O ministro da Agricultura do Brasil, Blairo Maggi, fala durante a cerimônia de assinatura de um decreto sobre novas regulamentações para a inspeção de carne bovina, no Palácio do Planalto em Brasília, Brasil, 29 de março de 2017. REUTERS / Ueslei Marcelino

Por Anthony Boadle e Marcelo Teixeira

BRASILIA / SAO PAULO – O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, pediu ao conselho de comércio exterior do Brasil que imponha tarifas sobre as importações de etanol, após um aumento nos embarques dos Estados Unidos, disse um funcionário na quinta-feira, uma medida que poderia agitar as tensões comerciais com o governo Trump.

O Brasil é o principal mercado para as exportações de etanol de milho nos EUA, que cresceram nos últimos meses para preencher uma lacuna deixada pela queda da produção interna, uma vez que os produtores de cana do país sul-americano desviaram mais sua safra para fazer açúcar por causa dos altos preços.

As importações de etanol dos Estados Unidos aumentaram cinco vezes para um recorde de 720 milhões de litros no primeiro trimestre – US $ 363 milhões, segundo dados oficiais do comércio.

A maior parte foi para portos no nordeste do Brasil, onde os produtores de etanol estão liderando as chamadas para a imposição de uma tarifa de 20%.

O secretário de relações internacionais do Ministério da Agricultura, Odilson Ribeiro, disse à Reuters que o ministro enviou o pedido na quarta-feira à câmara de comércio exterior, conhecida como Camex, que decide sobre as regras de importação e exportação.

O conselho de sete ministros deve se reunir na quarta-feira, quando o setor de açúcar e álcool da UNICA espera que a tarifa seja aprovada, embora o órgão não tenha prazo para decidir.

A imposição de uma tarifa sobre as importações de etanol, que vem quase inteiramente dos Estados Unidos, colocaria o Brasil em uma rota de colisão com a política comercial mais agressiva dos EUA sob o presidente Donald Trump.

O Brasil abandonou o imposto em 2010, na medida em que pressionava para liberalizar o comércio de etanol, pressionando os Estados Unidos para que removessem suas próprias tarifas de importação.

Numa reunião realizada na quarta-feira, a UNICA pressionou a Maggi, produtora bilionária de soja que nem sempre apoiou a indústria, por uma tarifa de 16%.

Funcionários do ministério se recusaram a dizer se Maggi havia recomendado um nível tarifário, mas um assessor disse que as implicações comerciais mais amplas da decisão estavam sendo analisadas.

“Estamos avaliando o impacto que isso poderia ter nas relações comerciais globais do Brasil, especialmente com os Estados Unidos”, disse o assessor de Maggi, pedindo anonimato devido à sensibilidade do assunto.

NÃO COMÉRCIO JUSTO

Os produtores de etanol dos Estados Unidos reorientaram as exportações para o Brasil depois que a China reintroduziu uma tarifa de etanol de 30% este ano.

Edward Hubbard, conselheiro geral da Associação de Combustíveis Renováveis, que representa os produtores de biocombustíveis dos EUA, disse que o RFA, Growth Energy eo US Grains Council escreveram este mês ao Representante Comercial dos EUA sobre o assunto, copiando a Casa Branca, o USDA eo Departamento de Comércio.

“O comércio não é livre e justo se os EUA abrirem suas portas para as importações brasileiras, mas o Brasil escolhe erigir barreiras comerciais para proteger sua indústria da concorrência”, disse ele à Reuters, acrescentando que funcionários americanos conversaram com colegas no Brasil sobre o assunto.

O diretor de biocombustíveis do Ministério da Energia, Miguel de Oliveira, alertou esta semana que o governo dos EUA retaliará se o Brasil recorrer a tarifas de etanol.

Os traders esperam que o aumento das importações continue, mesmo que uma tarifa seja imposta, já que os grandes players no Brasil estão comprando o etanol, entre eles o Copersucar, que controla a Eco-Energy LLC.

A Biosev SA, unidade do trader Louis Dreyfus Co, e Raizen – uma joint venture entre a maior produtora de açúcar do Brasil Cosan e a Royal Dutch Shell – também são compradores ativos, disseram os traders.

“Talvez reduza o fluxo um pouco, mas ainda esperamos que eles maximizem o açúcar e ainda precisem de etanol”, disse um comerciante norte-americano, com a condição de não ser nomeado. Ele não viu mais do que uma chance de 50-50 de tarifas devido à perspectiva de retaliação dos EUA.

A UNICA disse em uma declaração à Reuters que o imposto é necessário por razões ambientais porque o etanol de cana-de-açúcar produz menos emissões de gases do efeito estufa do que o etanol de milho norte-americano, ajudando o Brasil a atingir suas metas no acordo de Paris sobre mudanças climáticas.

Uma porta-voz do lobby disse que a UNICA espera que a questão seja resolvida na próxima semana.

Joel Velasco, que liderou os esforços da UNICA para expandir os mercados de biocombustíveis na última década, disse que o retorno às tarifas era a política errada no momento errado.

“Os movimentos protecionistas são míope em qualquer clima, mas especialmente agora, quando a atual administração dos EUA provavelmente retalharia desproporcionalmente”, disse Velasco, especialista latino-americana no Albright Stonebridge Group.

(Reportagem de Anthony Boadle e Marcelo Teixeira, Reportagem adicional de Chris Prentice em Nova York, Edição de Andrew Hay)

http://redealmeidense.com.br/wp-content/uploads/O-ministro-da-Agricultura-do-Brasil-Blairo-Maggi-fala-durante-a-cerimônia-de-assinatura.jpghttp://redealmeidense.com.br/wp-content/uploads/O-ministro-da-Agricultura-do-Brasil-Blairo-Maggi-fala-durante-a-cerimônia-de-assinatura-150x97.jpgRede AlmeidensePalácio do PlanaltoMinistro brasileiro apoia tarifa para reduzir importação de etanol nos EUA,após um aumento nos embarques dos Estados Unidos, disse um funcionário na quinta-feira, uma medida que poderia agitar as tensões comerciais com o governo Trump. Por Anthony Boadle e Marcelo Teixeira BRASILIA / SAO PAULO - O ministro da Agricultura, Blairo...Notícia de Política e Informação Financeira