Temer nega em vídeo ter tratado de valores e negócios escusos em reunião com Odebrecht. Lava Jato, o executivo da Odebrecht Márcio Faria da Silva disse que Temer participou de reunião

O presidente Michel Temer em cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília.12/04/2017.REUTERS/Ueslei Marcelino
O presidente Michel Temer em cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília.12/04/2017.REUTERS/Ueslei Marcelino

BRASÍLIA (Reuters) – O presidente Michel Temer usou as redes sociais para se defender nesta quinta-feira da acusação de que teria tratado do recebimento de propina da empreiteira Odebrecht em uma reunião em seu escritório, em São Paulo, pouco antes das eleições de 2010.

“É fato que participei de uma reunião em 2010 com representante de uma das maiores empresas do país”, afirma Temer no vídeo.

“A mentira é que nessa reunião eu teria ouvido referência a valores financeiros ou negócios escusos da empresa com políticos”, disse o presidente, acrescentando que isso nunca teria acontecido nesta ou em qualquer outra reunião.

Em delação premiada no âmbito da Lava Jato, o executivo da Odebrecht Márcio Faria da Silva disse que Temer participou de reunião na qual foi acertado pagamento de propina de 40 milhões de dólares ao PMDB em 2010, quando era candidato a vice-presidente da República. Segundo Faria da Silva, o valor se referia a 5 por cento de um contrato da Odebrecht com a Petrobras.

“Totalmente vantagem indevida, porque era um percentual em cima de um contrato”, disse Faria no depoimento, quando perguntado se havia ficado claro na reunião que o repasse era relativo a pagamento de propina.

Além de Temer, também participaram da reunião os ex-deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), de acordo com o depoimento do delator, que foi divulgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na quarta-feira após a retirada do sigilo sobre as delações da Odebrecht.

“Fomos anunciados e entramos na sala maior. Nessa sala estava presente o Michel Temer, ele sentou na cabeceira… do lado de lá Eduardo Cunha, Henrique Eduardo Alves”, disse Faria.

Segundo o delator, a reunião foi convocada como uma forma de “confirmação” para um acerto que já havia sido feito anteriormente por um intermediário do PMDB junto à Petrobras. O acordo dizia respeito a um contrato de 825 milhões de dólares para a manutenção de ativos da Petrobras em nove países, que foi vencido pela Odebrecht por meio de fraude no processo licitatório.

“Um dia recebi um email convocando para uma reunião com a cúpula do PMDB em São Paulo… Um contrato dessa magnitude, o que passou na minha cabeça é que o pessoal queria uma confirmação”, disse o delator, acrescentando que no encontro com a presença de Temer não se falou em valores, mas houve confirmação do acerto feito anteriormente.

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