Economistas começam a ver melhor crescimento do Brasil em 2017 e descartam risco de recessão

Economistas começam a ver melhor crescimento do Brasil em 2017 e descartam risco de recessão
Economistas começam a ver melhor crescimento do Brasil em 2017 e descartam risco de recessão

SÃO PAULO (Reuters) – Com boas surpresas vindas da inflação, que tem desacelerado mais do que o esperado recentemente e alimentado expectativas de cortes mais agressivos de juros, as perspectivas de melhor crescimento econômico do Brasil vêm ganhando corpo neste início de 2017, com bancos e consultorias já descartando risco de mais um ano de recessão.

A melhora do cenário marca uma inversão do ambiente mais pessimista que prevaleceu até meados de dezembro, com projeções de que o Produto Interno Bruto (PIB) do país pode crescer até 1 por cento neste ano, também em meio à melhora da confiança.

“Seguimos acreditando que a combinação de maior confiança, menor taxa de juros e avanço nas reformas deve confirmar que a recessão ficou para trás”, resumiu o economista do banco BNP Paribas no Brasil, Gustavo Arruda, para quem o PIB brasileiro vai crescer 1 por cento em 2017.

Os últimos dados de inflação têm surpreendido positivamente, e parte dos analistas já estima que ela pode ficar abaixo do centro da meta do governo –de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de 1,5 ponto percentual. Dessa forma, se o BC acelerar o processo de redução da Selic, pode gerar alívio no endividamento de famílias e na alavancagem de empresas, ajudando na retomada.

Hoje, a taxa básica de juros está em 13 por cento ao ano, depois de duas quedas seguidas de 0,25 ponto percentual cada e uma de 0,75 ponto. A expectativa dos agentes econômicos é de que, no mínimo, o BC mantenha o atual ritmo de corte, o que levará a taxa para abaixo de dois dígitos, barateando os empréstimos para consumo e investimentos.

“O efeito favorável de menor inflação sobre o crescimento da massa salarial real e, consequentemente, sobre o consumo das famílias e o impacto positivo do declínio dos juros sobre os investimentos explicam a expectativa de maior crescimento”, justificou o banco Credit Suisse ao elevar a projeção para o PIB deste ano a 0,2 por cento, ante estagnação.

Dentro do governo, o cenário mais otimista também começou a ganhar corpo recentemente, com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, desistindo da ideia de reduzir agora a previsão oficial de crescimento de 1 por cento para este ano.

Do final de 2016 para cá, os indicadores de confiança voltaram a mostrar recuperação importante em todos os segmentos, passando pela indústria e construção até consumidores. Esse movimento também ajudou no processo, até agora inicial, de melhora das perspectivas econômicas em geral.

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