Exportações impulsionam PIB do Japão no 4º tri, mas há incertezas com EUA

Exportações impulsionam PIB do Japão no 4º tri, mas há incertezas com EUA
Bandeira nacional japonesa vista em distrito financeiro em Tóquio. 05/01/2017 REUTERS/Kim Kyung-Hoon

Por Tetsushi Kajimoto e Stanley White

TÓQUIO (Reuters) – A economia do Japão cresceu pelo quarto trimestre consecutivo nos últimos três meses do ano passado com um iene mais fraco sustentando as exportações, mas o consumo privado fraco e os riscos de um crescente protecionismo dos Estados Unidos lançam dúvidas sobre uma recuperação sustentável.

A economia do Japão cresceu a uma taxa anualizada de 1 por cento no período entre outubro e dezembro, praticamente em linha com a alta de 1,1 por cento esperada pelos mercados, após uma expansão revisada de 1,4 por cento entre julho e setembro.

O crescimento do Japão no trimestre ajudou a reduzir o déficit econômico deixado pela demanda interna fraca. Mas há preocupações de que o persistente superávit comercial do Japão com os EUA possa tornar-se um alvo das críticas do presidente norte-americano, Donald Trump.

Durante uma reunião no fim-de-semana com o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, Trump afastou-se de sua retórica anterior contra o Japão por usar seu estímulo monetário para enfraquecer o iene e ganhar uma vantagem comercial injusta. Mas analistas duvidam que uma lua de mel dure muito.

O ministro da Economia, Nobuteru Ishihara, disse que o Japão permanece com uma tendência de recuperação moderada e espera que o impulso positivo seja mantido, mas ele mostrou-se cauteloso sobre as perspectivas.

“Deve-se dar atenção à incerteza sobre a economia global e às flutuações nos mercados financeiros”, disse ele a jornalistas após a divulgação dos dados do Produto Interno Bruto.

Na comparação trimestral, o PIB avançou 0,2 por cento, contra crescimento de 0,3 por cento esperado por economistas.

A demanda externa –ou as exportações menos as importações– contribuiu com 0,2 ponto percentual para o PIB, com as exportações avançando 2,6 por cento, o crescimento mais rápido em dois anos, devido a embarques de carros para a China e para os Estados Unidos e de componentes eletrônicos para a Ásia.

O consumo privado, que representa cerca de 60 por cento do PIB, não mostrou crescimento, em linha com a previsão de economistas. O aumento dos preços dos alimentos frescos e vegetais deve ter deteriorado o poder de compra das famílias.

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